Estudo indica maior exigência por coerência e relevância na comunicação com consumidoras entre 40 e 65 anos

Um estudo internacional conduzido pela consultoria de marketing regenerativo Netra CRB aponta tensões estruturais na forma como mulheres entre 40 e 65 anos se relacionam com marcas, trabalho e consumo. Intitulada The Prime Maturity Economy (A maturidade em seu auge), a pesquisa investigou percepções e comportamentos desse público em diferentes contextos culturais.

A etapa qualitativa do estudo ouviu mais de 50 mulheres no Brasil, Estados Unidos e Europa por meio de entrevistas em profundidade e análise comportamental. A próxima fase da pesquisa será quantitativa e deverá incluir 2 mil participantes, com resultados previstos para apresentação durante o Cannes Lions International Festival of Creativity.

Segundo o levantamento, mulheres nessa faixa etária demonstram crescente consciência sobre autonomia e identidade diante de sistemas sociais e narrativas culturais que consideram excludentes ou pouco representativas.

No Brasil, o grupo também ganha relevância demográfica e econômica. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a participação das mulheres com mais de 40 anos na população feminina passou de cerca de 29% em 2013 para mais de 36% em 2023, com projeção de ultrapassar 42% até 2035.

Além do crescimento demográfico, estudos internacionais apontam uma ampliação do poder financeiro desse público. Estimativas da Cerulli Associates e do UBS indicam que mais de US$ 80 trilhões devem ser transferidos entre gerações nas próximas duas décadas, processo no qual mulheres tendem a concentrar uma parcela significativa dos ativos devido à maior longevidade. Projeções da McKinsey & Company sugerem que mulheres poderão representar entre 40% e 45% dos ativos investidos até 2030 em mercados desenvolvidos.

Apesar desse peso econômico crescente, o estudo aponta que mulheres 40+ seguem sub-representadas na cultura de marca e frequentemente aparecem em narrativas limitadas, associadas a ideias de “reinvenção”, “declínio” ou enquadradas de forma genérica na chamada “economia prateada”.

As entrevistas qualitativas identificaram alguns padrões recorrentes no comportamento desse público. Entre eles estão menor tolerância a discursos considerados superficiais, maior exigência de coerência entre posicionamento e prática das marcas, rejeição a comunicações que subestimam sua experiência e preferência por consumo orientado a valor real, utilidade e consistência.

Para Iris Coldibelli, fundadora da Netra CRB, o mercado tem concentrado esforços criativos em públicos mais jovens, deixando de explorar de forma estratégica um segmento relevante para estabilidade de consumo.

Iris Coldibelli, fundadora da Netra CRB | Imagem: divulgação

“Enquanto grande parte da indústria direcionou energia criativa para ciclos acelerados de tendência e cultura Gen Z, mulheres entre 40 e 65 anos — fundamentais para estabilidade de consumo e formação de hábitos familiares — permanece explorada de forma pouco estratégica”, avalia Iris.

Segundo dados da Boston Consulting Group, mulheres influenciam entre 70% e 80% das decisões de compra doméstica. Já análises da Bain & Company indicam que um aumento de 5% na retenção de clientes pode elevar lucros entre 25% e 95%, reforçando o potencial estratégico de públicos com maior fidelidade de consumo.

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