Danilo Nunes, CEO e fundador da Nudgy, comenta o uso da inteligência artificial na rotina das agências e o valor do olhar humano na estratégia criativa
CEO e fundador da Nudgy, agência especializada em construir e alimentar sistemas criativos com foco em performance, Danilo Nunes afirma que hoje já é possível ter uma agência inteira funcionando sem intervenção humana, “mas também sem a qualidade humana”.
Na entrevista a seguir, ele, que é professor na ESPM, avalia que a IA deve entrar em tudo que é repetitivo e sistematizado. “Eu quero que ela tire os meus gargalos e resolva os problemas mais operacionais para que a gente consiga cuidar da estratégia de criação”. Nunes fala ainda sobre a teoria da internet morta, em um cenário em que uma das coisas mais importantes será o toque humano por trás da criação.
Background acadêmico
Pelo fato de o marketing estar muito atrelado às tecnologias e essas tecnologias moldarem como consumimos as coisas (ferramentas, conteúdo, produtos etc.), a gente precisa sempre estar antenado. Quando você está no mercado, a prática vem mais rápido do que a análise.
Acredito que meu background acadêmico me dá uma sustentação de como traduzir isso para pessoas que não têm o conhecimento técnico do dia a dia e também para ter uma narrativa que conecta muito com a razão daquilo existir e não necessariamente só a funcionalidade daquela ferramenta ou nova estratégia. Enquanto o lado executivo me traz as tendências de uma forma extremamente mais acelerada.
É muito interessante estar no dia a dia nas trincheiras e conseguir utilizar tecnologias que chegam da Europa, dos Estados Unidos, e trazê-las para o Brasil e levar isso para dentro da sala de aula com a velocidade que uma vida somente acadêmica não permitiria. Então, todas as minhas aulas têm um esqueleto e elas são mensalmente, trimestralmente ou semestralmente atualizadas com tudo que a gente vive no mercado.
Creative strategy
A Nudgy é uma agência focada em creative strategy, que é algo que lida completamente com marcas DNVBs (digital native vertical brands) que utilizam principalmente o canal do D2C (direct to consumer).
Eu comecei, durante muito tempo, trabalhando no mercado internacional, entendendo creative strategy como um serviço que era executado nos Estados Unidos, na Europa, na Ásia, na Oceania, em agências, em house of brands, em marcas que investem 100 mil, 200 mil dólares por mês e marcas que investiram dezenas de milhões de dólares por mês.
Entendi esse formato, modelei e trouxe ele para o Brasil, porque não tinha nenhuma empresa que conseguia oferecer esse serviço com a granularidade que a gente oferece - e é uma demanda muito requisitada por esse tipo de empresa que usa o D2C como canal. Como CEO e fundador, olho para modelos de negócios e novas formas de monetizar e criar verticais dentro da creator economy - seja como serviço ou educação.
Growth
Hoje, pensando a Nudgy como consultoria, ela funciona sempre como uma extensão do time criativo da marca. A gente lida muito com os líderes de marketing, os líderes internos, e vira realmente essa extensão da capacidade de criação. Atendemos principalmente empresas que já têm equipes de growth estruturadas. Na maioria dos casos, o nosso cliente é o líder de growth, que toca a parte de aquisição dos canais, e a gente vira ou o líder criativo daquela empresa, e o nosso time oferece todas as peças e demandas que o líder de growth precisa, ou uma extensão da capacidade de produção daquele time, e traz sempre inovação, traz benchmarking do que outras contas estão fazendo, do que o mercado internacional está fazendo.
E como temos uma relação muito rápida e forte com as plataformas, como Meta e TikTok, conseguimos também trazer treinamentos e inovação de ferramentas para eles. No mercado brasileiro, temos cases de marcas de DTC como a Sallve, a Vitha, a Liquidz e a Guday, que são marcas bem conhecidas dentro desse mercado. Internacionalmente, a gente já trabalhou com a Shapermint, com a Cupids e com a Obvii, que são marcas referência dentro dessa estrutura do mercado de D2C.
Leia a íntegra da matéria na edição impressa de 12 de janeiro.