Em 2025, o Brasil deixou de ser apenas referência cultural para se consolidar como um ativo estratégico de escala global. O movimento conhecido como brazilcore ultrapassou a estética e passou a operar como força econômica, simbólica e de marca, com impacto direto em decisões de investimento, posicionamento empresarial e estratégias de crescimento.
Relatórios da WGSN apontam que tendências ancoradas em identidades culturais autênticas apresentam maior longevidade e retorno de marca do que movimentos puramente visuais. Em ciclos anteriores, a consultoria já indicava que marcas alinhadas a códigos culturais genuínos conseguem ampliar sua relevância em até 2 vezes em mercados maduros, sobretudo quando conectam cultura, propósito e experiência.
Esse contexto ajuda a explicar o reposicionamento do Brasil em 2025. No plano institucional, a confirmação do país como sede da COP30, em Belém, colocou o território brasileiro no centro da agenda climática global. Foram mais de 50 mil participantes, entre líderes políticos, executivos, investidores e representantes da sociedade civil. Além do impacto diplomático, o evento teve efeitos econômicos relevantes em turismo, infraestrutura e atração de capital internacional.
A economia criativa também desempenhou papel central nesse reposicionamento. O audiovisual brasileiro viveu um ciclo histórico de reconhecimento internacional, com produções nacionais conquistando espaço em grandes festivais, plataformas globais e premiações de alto prestígio, incluindo o Oscar. Segundo dados do setor, conteúdos locais com forte identidade cultural têm apresentado crescimento consistente de audiência global, ampliando exportação cultural e geração de receitas.
O mercado respondeu de forma concreta a esse reposicionamento. Um exemplo foi a campanha global da Louis Vuitton Men’s Spring–Summer 2025, sob direção criativa de Pharrell Williams, amplamente difundida nos canais oficiais da marca e na imprensa internacional. A campanha incorporou códigos visuais associados à diversidade cultural, à energia urbana e à expressão criativa, elementos cada vez mais conectados à percepção global do Brasil. É um indicativo de como grandes marcas passaram a dialogar com repertórios culturais antes tratados como periféricos, agora reconhecidos como centrais para construir relevância global.
Do ponto de vista de negócio, o valor da conexão cultural é mensurável. O Global Loyalty Report e estudos da Bain & Company mostram que marcas que constroem vínculos emocionais consistentes podem gerar até 306% mais valor ao longo do ciclo de vida do cliente. Em um ambiente de alta competição e saturação publicitária, cultura deixou de ser atributo intangível para se tornar diferencial competitivo concreto.
A cultura pop internacional reforçou esse capital simbólico. Artistas globais como Shawn Mendes e Dua Lipa passaram a expressar publicamente sua conexão com o Brasil, ampliando o alcance do país junto a audiências jovens e digitais. Em termos de marketing, esse tipo de exposição orgânica representa milhões em valor de mídia espontânea, um indicador cada vez mais relevante para CMOs e conselhos de administração.
2025 marcou o momento em que o Brasil deixou de ser tendência para se tornar plataforma. Para empresas e líderes, a leitura é clara: compreender o Brasil hoje significa entender um ecossistema que combina cultura, economia, sustentabilidade e inovação. O brazilcore não é moda. É posicionamento estratégico com impacto real sobre valor, reputação e crescimento de longo prazo.
Tati Wong é diretora executiva da Roda