Aviões e empresas, para derrubar, são necessários vários fatores em sequência. E, num mercado dinâmico como o das empresas independentes de comunicação, é importante ficar de olho nessas variáveis que podem ser evitadas.
Guardo sempre comigo listas de aprendizados a partir de erros cometidos como lembrança para não serem repetidos. Divido aqui um deles com você.
O primeiro item anotado diz respeito a uma qualidade pessoal que acaba se tornando um hábito coletivo em casos de sucesso. O “extra-mile” ou a milha extra.
A expressão em inglês não possui tradução fluente aqui, pois não usamos milhas como medida. Mas é como se disséssemos sobre como o quilômetro a mais a ser percorrido nos traz coisas especiais.
Quais seriam e por quê?
A expressão milha extra vem do Novo Testamento, em Mateus 5:41, com um ensinamento de Jesus Cristo. Ele comentou com seus discípulos: se alguém te obriga a andar uma milha, ande com ele duas. O contexto histórico torna a expressão brilhante.
Na região ocupada na época pelo Império Romano, todo soldado tinha o direito, por lei, de obrigar civis e pessoas comuns a carregar os seus equipamentos por até uma milha.
Humilhante isso. E Jesus sugere uma ideia simples que guarda um ato revolucionário e que demonstra caráter forte para quem o prática e não aparente fraqueza.
Ao caminhar por livre vontade mais uma milha, você transforma a imposição do império em escolha pessoal. É como dar a última palavra. É mostrar excelência, força, autocontrole e vontade para além do exigido.
Ele sugere, nesse ato rebelde, que o diferencial humano começa justamente onde termina a obrigação. Isso transforma o esforço de algo comum em memorável.
E todo ato rebelde tem tudo para empolgar os jovens de espírito. Em qualquer área. A espontaneidade do ato e sua aplicação transforma o comum em algo especial.
Vê como isso tem mais a ver com o intrínseco e formação pessoal do que com direitos e deveres?
Chamamos isso de ética de trabalho. Empresas com ética de trabalho, que vão além das obrigações óbvias do modelo 4×1 etc., tendem a ter mais sucesso. Principalmente onde se trabalha com talentos. Falo sobre inspiração pessoal e não uma imposição da empresa. É um fenômeno espontâneo, incontrolável.
Diversos vídeos apresentam esse conceito: de Kobe Bryan, Oscar e Michael Phelps a Giorgio Moroder, em seu início de carreira, antes mesmo de criar a era disco dos sintetizadores.
O “extra-mile”, quando interpretado assim, vira o extra-ordinary. As principais equipes criativas possuem isso. Quem quer, de verdade, tem isso no âmago.
Porém, equipes medianas, sem ambição de aprender, performar ou entregar, se tornam o ingrediente principal da receita certa para o fracasso de empresas.
Alguns indivíduos com esse perfil podem ser decisivos no sucesso da sua companhia. A autoconfiança de que só você vai conseguir transformar o problema, que nem é seu somente, em oportunidade para o cliente e a sua marca.
O pensamento “Pode parecer difícil, mas para mim não é impossível” é, geralmente, o caminho a mais que a gente trilha.

