Por Flavio Waiteman, sócio e CCO da Tech & Soul
Pesquisei as doenças que estavam erradicadas e que estão voltando, por falta de vacina, e achei melhor resgatar aqui uma estrofe da música ‘O pulso’, dos Titãs.
“Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia Toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia Úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria Sífilis, ciúmes, asma, cleptomania. E o pulso, ainda pulsa.”
Para a maior parte dessas doenças existe tratamento ou cura no SUS. Para a outra parte da letra que fala das patologias da alma, como estupidez, raiva, ciúme e hipocrisia, ainda não.
Mas assim como vivemos epidemias graves e a comunicação nos ajudou a superá-las, imagino que em algum momento isso vai acontecer.
A comunicação deve ser a vacina.
No início de carreira, orgulhosamente trabalhei no time que convenceu o Brasil a fumar menos, se proteger no sexo e se vacinar.
À época, junto à área técnica do Ministério formada por epidemiologistas, médicos e antropólogos, entendi que a teoria de Darwin que fala que as espécies evoluem por seleção natural aplica-se também à comunicação. E de maneira cruel.
Quem não entende a mensagem não passa seus genes à frente.
Se a pessoa não entende a mensagem de que depende a sua existência, corre perigo de vida.
As mensagens precisavam ser entendidas facilmente para diversos perfis de capacidade de interpretação de texto. E repetidas várias vezes.
Na época, a estratégia era de longo prazo; cada campanha deveria proteger algum público vulnerável diferente que, com o tempo e com a mudança de comportamento, somaria imensamente para o fim da pandemia, epidemia ou algum hábito nocivo.
A cada pessoa convencida, menos pessoas usavam o serviço público de saúde e melhor os recursos disponíveis eram utilizados.
A comunicação sempre foi a base da evolução.
A atualíssima volta do sarampo é o fracasso da estratégia de comunicação atual. Precisamos de outra.
Meu coração quebrou em pedaços quando soube que uma pessoa conhecida teve seu bebê afetado pela poliomielite com sequelas para o resto da vida. Não vacinou.
Aqui e no mundo. A poliomielite e outras doenças desaparecidas estão voltando em grande velocidade. Antes havia a falta de informação. Hoje há a anti-informação, que nasce viral e se espalha.
Não me refiro aqui nessas linhas a governos, mas à sociedade como um todo. À educação como tudo.
As escolas precisam dar uma atenção especial a essa doença transmitida pela informação.
A capacidade de interpretar um texto se deteriorou. É preciso desenvolver anticorpos contra a anti-informação, que prejudica a vida de pessoas inocentes.
Estou ansioso para ver ao vivo no Ibirapuera, no sábado que vem, o show dos Titãs apresentando o disco ‘Cabeça Dinossauro’. Devem cantar a música ‘O pulso’.
Sugiro mais um mal a ser incorporado na brilhante letra, na parte das doenças de comportamento: maldade.



