Na gringa, o Brasil é o queridinho do momento. Será que nós já percebemos isso?

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Por Jean Oliveira, Comunicador, Estrategista Digital e CEO da Agência Start

Durante esses dias em Cannes, senti um misto de sensações ao entender a posição que o Brasil tem ocupado para os gringos seja no futebol, na música ou na comunicação. Sempre que me apresentava como brasileiro, quase que imediatamente, vinha algum comentário do tipo: “Eu amo a criatividade de vocês”, “Vocês pensam diferente” ou “O mundo quer contratar vocês”.

No começo, parecia apenas simpatia. Mas, depois de ouvir as mesmas frases por diversas vezes, de pessoas com nacionalidades diferentes, ficou difícil ignorar a realidade: o Brasil vive um dos momentos mais valorizados da sua história dentro da comunicação global. Ou seja, os gringos têm olhado pra gente, mas será que nós mesmos estamos nos enxergado com o valor que merecemos?

Enquanto o mundo parece fascinado pelo jeito brasileiro de criar, nós ainda insistimos em procurar referências apenas do lado de fora. Durante décadas aprendemos a admirar o sonho americano, os modelos europeus e as fórmulas importadas de inovação. Construímos campanhas olhando para o que vinha de Nova York, Londres ou Paris. Mas, andando pelos corredores de Cannes, ficou evidente que o movimento começou a mudar de direção.

O nosso jeito de criar é diferenciado!

Talvez isso aconteça porque a nossa criatividade nasceu em um lugar diferente. O marketing brasileiro não foi construído apenas dentro de salas de reunião. Ele foi desenvolvido na rua, no comércio de bairro, na informalidade, na adaptação constante e na necessidade de criar, inovar e encontrar soluções com recursos limitados, com influências da nossa cultura rica e diversa e, principalmente, com o olhar humanizado que tem poder de gerar conexões reais.

Enquanto alguns mercados aprenderam criatividade na abundância, nós aprendemos criatividade na escassez. A dona de casa que transforma uma habilidade em renda extra, o barbeiro que encontra formas de lotar a agenda sem investir em mídia, o ambulante que entende o comportamento das pessoas melhor do que muitos relatórios de tendências. Tudo isso é marketing antes mesmo de receber uma nomenclatura corporativa. Foi a necessidade que ensinou o brasileiro a observar o comportamento das pessoas, que nos obrigou a encontrar caminhos alternativos e que transformou improviso em estratégia e relacionamento como um diferencial competitivo. Isso reforça que o nosso Marketing acontece no dia a dia.

Talvez seja por isso que as campanhas brasileiras costumam ultrapassar os limites da publicidade. Elas começam na televisão e continuam nas redes sociais. Ganham conversa de bar, viram meme, entram na cultura popular e passam a fazer parte da vida das pessoas. É aqui que o Brasil brilha! Porque, mesmo sem muita estrutura, às vezes sem orçamento e até sem reconhecimento, o Brasil aprendeu a se comunicar com quem realmente precisa, não por causa de um estudo que saiu no New York Times. O Brasil aprendeu algo que o mercado global busca desesperadamente neste momento: criar comunicação que pareça humana. Esse é o nosso verdadeiro ouro!

Não está apenas na tecnologia, nos processos ou nos frameworks. Está na nossa capacidade de entender gente. De conversar com gente. De criar para gente. Os gringos já perceberam isso e, agora, falta nós percebermos também. É um desperdício deixar que outros reconheçam o nosso ouro antes de nós, não é mesmo?!

Imagem do Topo: Divulgação

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