Mesmo que reflita as estatísticas de mulheres no comando no mercado de trabalho brasileiro - apenas 39% dos cargos gerenciais são ocupados por elas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) -, a configuração da liderança na indústria da comunicação está se transformando.

No caso das agências, apesar de representarem a maioria no quadro de colaboradores, com 57% de mulheres, 24% delas ocupam posições de CEO e, em diretorias,
elas já preenchem 30% dos cargos, um avanço em relação a anos anteriores, segundo o Observatório de Diversidade na Propaganda.

Cada vez mais, executivas conquistam espaços-chave, e a presença feminina em posições estratégicas ajuda a imprimir um novo estilo de liderança no setor, a ampliar perspectivas e transformar a cultura das empresas. Dentro desse contexto, ser líder passa a ter um significado que vai além da trajetória individual.

Nesta edição, o propmark apresenta o Especial Lideranças Femininas, com depoimentos de líderes de algumas das principais agências e marcas do mercado que se destacam pelo que estão fazendo para transformar negócios e suas trajetórias bem-sucedidas, que ajudam a inspirar outras mulheres.

A influência é verdadeira, mesmo que não seja dita. Tatiana Pacheco, COO da Cheil Brasil, por exemplo, relata que com o tempo passou a perceber o impacto simbólico de sua posição para outras mulheres no mercado. “Demorei a perceber o quão importante era para outras colegas o papel que eu representava.”

Além de servirem como inspiração, outra contribuição importante dessas líderes modernas é incentivar as empresas a desenvolver programas de mentoria para mulheres, disseminar a cultura da diversidade e semear um ambiente em que as colaboradoras se sintam confortáveis em contextos historicamente masculinos, algo que pode se refletir na dinâmica de simples reuniões.

Camilla Massari, VP de atendimento e negócios da AlmapBBDO, reforça o coro de que ampliar a diversidade nas mesas de decisão é essencial para enriquecer debates e melhorar a qualidade das escolhas estratégicas. Ela vai além do discurso.

Na Almap, participou da criação do programa de mentoria ElevaElas, que busca apoiar o crescimento profissional de mulheres dentro da agência e aumentar a presença feminina em posições de liderança. “Quando mulheres apoiam outras mulheres, o caminho coletivo fica mais curto”, declarou à reportagem.

Exemplos de líderes fortes no mercado não faltam. O leitor vai encontrar no especial histórias inspiradoras sobre a trajetória das entrevistadas e visões certeiras de profissionais que ajudam a moldar a “nova” propaganda contemporânea.

Mas nem tudo são flores. Para chegar onde estão, as profissionais quebram barreiras - às vezes invisíveis - em um setor dominado historicamente por homens e enfrentam, assim como a maioria das brasileiras, as desigualdades de gênero que ainda estruturam o mercado de trabalho.

De acordo com o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher 2025 (Raseam), elaborado pelo Ministério das Mulheres por meio do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero e com base em indicadores do IBGE, as mulheres continuam enfrentando maiores obstáculos na inserção e na progressão profissional, com diferenças persistentes de remuneração e acesso a posições de maior autonomia.

A presente edição deste jornal é uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, data oficializada pela ONU, em 1975, em reconhecimento aos direitos das mulheres.

Frase: “Não se nasce mulher, torna-se mulher” (Simone de Beauvoir em seu livro ‘O segundo sexo’) .

Armando Ferrentini é publisher do propmark