Armando Ferrentini, publisher Propmark
Capacidade de gerar ideias originais, úteis e valiosas, conectando conceitos existentes de maneira inovadora para resolver problemas. A visão da IA sobre o conceito de criatividade é simples e direta. Parece fácil, mas não é. Ser criativo nos dias de hoje vale ouro. Sempre foi importante, claro. Mas agora, com a inteligência artificial automatizando vários processos, trazendo escala e pensando por nós também, uma big idea pode ser decisiva para mudar o jogo.
Mais do que nunca, o trabalho criativo é o que fará a diferença no mercado. Em tempos de IA, a preocupação de muitos sobre a ameaça de tomada de empregos pela inteligência artificial não desapareceu por completo. Há setores em que humanos podem sim ser substituídos pelas máquinas. Os robôs humanoides, por exemplo, estão sendo projetados para fazer trabalhos domésticos.
Na publicidade, no jornalismo, na economia criativa em geral, o talento das pessoas continuará sendo valorizado. Afinal, criar algo diferente, enxergar um ângulo diverso e contar boas histórias são qualidades humanas que nem o melhor prompt resolve.
A IA até pode ajudar na criação de um conceito, mas é o olhar humano que distinguirá uma ideia realmente original e inovadora. Ter um insight baseado em cultura popular também é uma atribuição de quem possui repertório e o dedo no pulso do consumidor.
Veja que interessante depoimento publicado na internet de uma executiva com carreira consolidada no setor tech nos Estados Unidos que havia migrado para technical marketing. Segundo ela, agora precisa criar muito conteúdo tech, vídeos, blogs e papers sobre o tema, mas estava enfrentando dificuldade e queria aprender mais sobre storyteller. E pedia uma dica de um bom framework para estudar a estrutura de storytelling.
O testemunho comprova que ser um bom contador de histórias não é para todos. E nem mesmo a IA pode resolver tudo em todos os momentos. Tem uma hora que é você com você mesmo. Ser criativo é uma função solitária. Trata-se de uma habilidade que até pode ser treinada e aprimorada, quanto mais faz, melhor fica. Mas, fundamentalmente, trata-se de talento.
Por isso, a área de criação continua sendo o coração das agências. O cartão de visitas, digamos assim. Óbvio que todos os departamentos são peças-chaves para o negócio das marcas. Não há uma boa agência hoje sem uma área de mídia forte, por exemplo. Contudo, é a área de criação que conecta as demais.
O Especial Lideranças Criativas desta edição mostra que a criação representa o ponto de convergência entre todas as áreas. Com tanta gente na mesa do cliente, vale lembrar que a agência criativa continua puxando a grande ideia.
“Tem muito mais gente participando do processo criativo hoje. E quanto mais gente na mesa, mais o cliente precisa de alguém que enxergue o todo. A agência criativa é quem melhor pode fazer isso”, declarou Pedro Araújo, CCO da DPZ, ao repórter Vitor Kadooka.
Confira no especial depoimentos imperdíveis de executivos de algumas das principais agências do mercado, que falam sobre carreira, criatividade e trazem pontos de vista importantes sobre o novo papel da criação para a publicidade em tempos de IA, creators e novas disciplinas.
Outro destaque da edição é matéria sobre o trabalho do Instituto Baccarelli, que transforma a vida de jovens na Favela de Heliópolis (SP) com cultura e música.
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