Temos uma carência, de milhões, de profissionais habilitados para novas funções demandadas
Em artigo anterior, trouxe aqui o questionamento sobre as possíveis mudanças nas três letras que compõem o acrônimo ESG. Há quem defenda uma mudança conceitual: o acrônimo seria agora Economia, Segurança e Geopolítica, em vez de Environmental (Ambiental), Social e Governança.
Não concordo com essa mudança de foco, já que as questões ambientais continuam extremamente relevantes perante a crise climática – e Economia sempre esteve contemplada nas decisões empresariais. Também considero o S, de Social, de extrema relevância para tornar a humanidade mais justa e equitativa, embora as questões de Segurança sejam importantes. E o G, de Governança, abrange tudo, já que dependemos de atitudes éticas e transparentes para tornar as empresas, as instituições e os governos mais conscientes e responsáveis.
Mas hoje gostaria de tratar de um E adicional: o E, de Educação. A educação perpassa todos os conceitos derivados de ESG e é, sem dúvida, o caminho mais eficaz para processar as mudanças tão necessárias para um mundo melhor. Ela não é apenas um meio de transmissão de conhecimento – é uma ferramenta transformadora, capaz de redefinir relações, reduzir desigualdades e promover consciência coletiva.
Sem ela, os pilares do ESG permanecem como boas intenções, sem o alcance necessário para gerar impacto real na sociedade. Nas questões ambientais, por meio de uma boa educação podemos motivar as pessoas – e, consequentemente, as instituições – a adotar procedimentos respeitosos com o meio ambiente. Podemos tornar as pessoas mais informadas e críticas com relação aos riscos do desrespeito à preservação e à regeneração ambiental. Afinal, sem uma educação ambiental robusta, dificilmente as sociedades conseguirão reverter os impactos das mudanças climáticas que já afetam o planeta de forma profunda e acelerada. A educação é, portanto, aliada indispensável na luta pela sustentabilidade. Com relação às questões sociais, é desnecessário dizer o quanto a boa educação é importante para diminuir o abismo social, qualificando pessoas para os novos skills demandados pela economia digital, por exemplo.
Se, por um lado, temos milhões de pessoas sem ocupação, por outro, temos uma carência, também de milhões, de profissionais habilitados para novas funções demandadas. Só a educação minimiza esse gap. Temos acompanhado iniciativas de estados nordestinos brasileiros, com performance destacada na educação formal. Isso pode levar esses estados a um novo patamar, promovendo um desenvolvimento sustentável de seus moradores.
E não falamos apenas de educação formal ou de sala de aula – plataformas digitais, cursos online e programas de capacitação abrem portas que, antigamente, estavam fechadas para grande parcela da população. Essa democratização do acesso ao conhecimento é, por si só, uma conquista social imensa. Mesmo pessoas com grande experiência precisam se apoiar no conceito de educação contínua para acompanhar as mudanças frequentes desse mundo VUCA.
Eu, por exemplo, aproveitando esse período de início de ano, mais tranquilo, fiz cinco cursos livres – desde agro sustentável até ferramentas de IA, passando por gestão ágil. Cito meu caso aqui por já ter perto de 40 anos de experiência profissional.
O fato é que o E, de Educação, continua fazendo a diferença, não importa seu estágio de vida. Como disse Sócrates, “Só sei que nada sei”. Precisamos ter a humildade de aprender sempre, ao longo de toda a vida. E, nesse contexto, a educação também se conecta diretamente ao G, de Governança: aos governantes, cabe priorizar políticas públicas educacionais como forma de melhorar a vida das pessoas e de construir uma sociedade mais resiliente, inovadora e sustentável. Porque, no final das contas, é pela educação que passam todas as mudanças que queremos ver no mundo.
Alexis Thuller Pagliarini é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br