A série da Netflix ‘Clark’, filmada na Suécia, conta a história de um criminoso que realmente existiu, Clark Olofsson.
Um homem extremamente charmoso, violento, com um viés de empatia e crueldade. Tudo junto com altas doses de manipulação.
As pessoas maltratadas por ele o adoravam e o defendiam, mesmo sendo reféns de suas maldades.
Ficou conhecido, naquilo que nas rodas de bar comentamos sobre a síndrome de Estocolmo.
Uma maneira elegante de explicar algo inexplicável que é a inação frente a algo desagradável que te afeta diretamente.
Assisti à série, com atores suecos ótimos, incluindo Bill Skarsgard.
Não teve como não lembrar que vivemos no mercado hoje um momento parecido.
Marcas e clientes sofrendo muito com o desaparecimento de suas agências, profissionais seniores sendo dispensados em programas de lucratividade e fazendo parte de um movimento financeiro de terceiros enquanto ficam paralisados, sem autonomia ou vontade de escolher o próprio caminho.
E, às vezes, com um pequeno sorriso no rosto. Haja charme.
Está chegando a hora de as empresas independentes e as de donos darem as caras.
Quanto mais delas, melhor. Depois, Darwin que se vire em fazer a seleção natural.
É com ele a parte de selecionar as mais adaptadas, com melhores talentos, cultura e adaptação frente ao mercado e seus desafios.
Aquilo que uma agência independente tem e que é muito valiosa para quem paga a conta é o “não” que ela ouve. Pelo menos é um não que gera valor aos clientes.
Um executivo de primeira linha contratado consegue dizer não até um quarter difícil chegar. Mas em agência de dono, o “não” é garantido.
O “não” que uma agência independente ótima recomenda pode diminuir as distrações que acabam diluindo força e intensidade de um conceito.
O “não” para fórmulas manjadas e para a muleta de dados em vocabulário de coach de autoajuda também.
Outra vantagem das independentes, nesse universo de buracos negros se engolindo, é falar com quem decide. Olho no olho.
E só uma agência de dono vai poder decidir ter um quarter pior, mas investir num quarter melhor para o cliente e seu sucesso.
Só sabe a dor quem sente. Vale para a pedra no rim ou para empresários.
Incluindo nessa equação uma safra cada vez mais rara de empresários, os donos de agências.
Um ótimo início de 2026 e vamos pra cima com coragem de fazer um ano que valha a pena.
Flavio Waiteman é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br