Do hype ao temor de que empregos serão perdidos, a inteligência artificial continua impactando o mercado de trabalho sob vários aspectos. Aprender a usar bem a ferramenta é o atual desafio. Já há relatos de empresas que demitiram funcionários que não se adaptaram ou não conseguiram incorporar a IA a sua rotina.
Na publicidade não seria diferente. Setor que depende fundamentalmente do talento humano, a propaganda vive um momento em que a IA se tornou parte da rotina dentro de agências e clientes, mas uma coisa é certa: ela não substitui o pensamento criativo.
A tecnologia acelera processos, não necessariamente reduz custos, mas escala campanhas publicitárias, sendo que o grande teste dos profissionais é como fazer bom uso da IA, com ética e transparência, de uma forma que a publicidade não se torne pasteurizada. Ou seja, que não fique tudo igual e a criatividade seja relegada a segundo plano.
Matéria de capa desta edição revisita o tema, trazendo depoimentos de lideranças do mercado para mostrar os ganhos reais da tecnologia e os limites do modelo. Um dos caminhos sem volta é a maneira como a IA mudou totalmente o processo de criação. Se antes a folha em branco era o ponto de partida, agora os profissionais entram na era da curadoria intelectual.
Uma vez que a tecnologia virou commodity, o verdadeiro diferencial competitivo é o pensamento crítico que criativos e produtores colocam sobre aquilo que a ferramenta entrega. Não se trata também de aumentar o volume, produzindo mais conteúdo que não comunica nem entrega valor.
A questão fundamental é usar o ‘tempo economizado’ para refinar estratégias e ampliar o olhar, pois no final a decisão sempre será humana. Uma boa analogia é que a inteligência artificial acelera o ‘como’, mas não resolve o ‘o quê’. 2026 promete ser um ano de maturação do entendimento de que a IA automatiza o volume e libera os humanos para o valor. “O erro é achar que isso reduz custos sem exigir investimento em talento mais qualificado”, observa Allan Barros, CEO da Pullse e da Acelerai.
Outro destaque desta edição é uma matéria sobre o ‘Janeiro branco’ no mercado publicitário. Aproveitando o mês da campanha que convida a sociedade a cuidar da saúde mental e emocional, a reportagem do propmark ouviu agências brasileiras para mostrarem as iniciativas que desenvolvem para manter o bem-estar de seus colaboradores.
Em um setor que convive com pressão criativa, alta competitividade e prazos curtos constantemente, a questão não pode nem deve ser tratada com ações pontuais, mas sim com iniciativas duradouras ao longo do ano.
A Africa Creative, por exemplo, investe na construção de diálogo por meio do programa ‘Saúde janeiro a janeiro’, além de iniciativas voltadas à integração e ao bem-estar físico, como grupos de corrida e encontros semanais fora do ambiente do escritório.
Já no Publicis Groupe, além da plataforma LionCare, que oferece telemedicina e terapia online, e parcerias com Wellhub e Totalpass, existe um direcionamento para apoiar os colaboradores no cuidado com a saúde financeira, reconhecendo seu impacto direto na saúde mental.
A TV1, que no primeiro dia do ano recebeu os funcionários com um livro de reflexões, implementa práticas como ‘Short friday’, day off no aniversário, políticas de trabalho remoto temporário para cuidado com familiares e o monitoramento constante do clima organizacional.
Falando em livro, há empresas que têm adotado clube do livro entre seus colaboradores como forma de distração e bem-estar. Vale lembrar que em um país que ocupa o segundo lugar no ranking mundial de casos diagnosticados de síndrome
de Burnout, segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), é fundamental investir em clima organizacional para a longevidade dos talentos.
Frase: “Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente” (Érico Veríssimo).