Andrea Pita, CEO da Fibra.ag. - Especial para o Propmark

A sustentabilidade deixou de ser um discurso paralelo para tornar-se parte central na forma como as marcas constroem reputação, presença e relevância cultural. Consequentemente, não é à toa que um dos movimentos mais assertivos dos últimos tempos tenha seguido a ideia original do conceito ESG: expandir além do relatório: considerar como base do impulso criativo a visão de integração/interrelação entre as partes, sejam áreas do mercado, seja entre diferentes conceitos culturais, entre ideias e meio ambiente ou, mesmo, traduções de linguagens cênicas, e assim por diante. Uma visão fundamental, que resulta em participação estendida e amplia o próprio mercado de comunicação.

Recentemente, a Fibra.ag teve oportunidade de receber e preservar em sua sede plantas nativas do cerrado, que faziam parte da obra apresentada na 36ª Bienal de São Paulo, assinada pela americana Precious Okoyomon. Após o encerramento da exposição, esse conjunto vivo ganha continuidade em um jardim permanente, aqui em casa. A ação nos fez refletir sobre como o setor criativo pode assumir papel mais ativo na preservação de legados, no cuidado com o espaço urbano e na construção de ambientes que expressam e inspiram valores cruciais no convívio futuro de nossa cidade.

Em um mercado historicamente orientado pela efemeridade, a ideia de pensar em “continuidade viva” ganha força na intenção de dar novos destinos ao material cenográfico usado. O gesto aponta para uma tendência maior, na qual experiências continuam a ressoar além do término do evento, proporcionam marcas permanentes, geram interrelações entre as partes e ativam condições para novos mercados, além de produzir impacto simbólico-cultural e ambiental. No universo do live marketing e do brand experience, essa discussão é especialmente relevante. Estamos vivendo um momento no qual marcas buscam não apenas visibilidade e presença como, também, consistência coerente e propósito expandido.

Outro aspecto importante é a forma como os ambientes corporativos vêm sendo ressignificados. A presença de elementos naturais em espaços de trabalho, conceito conhecido como biofilia, tem sido associada a bem-estar, criatividade e facilitadora na interconexão humana.

Contudo, no nosso caso é ainda mais especial: trata-se de um jardim que oxigena história, origem e mensagem. Estabelece em novo espaço um cenário de encontros, conversas e novos projetos - partes integradas na mesma conversa sobre futuro, cidade, interrelações e responsabilidade com as próximas gerações.

No setor de comunicação, temos falado muito sobre narrativas sustentáveis. Talvez o próximo passo seja pensar em estruturas sustentáveis, formas de o mercado criativo reduzir/evitar desperdícios. Isso significa reaproveitar legados, valorizar o que permanece e construir ações que não sejam apenas campanhas isoladas, mas, sim, compromissos com o conjunto que formamos.

Receber esse jardim foi, acima de tudo, um convite à reflexão. Afinal, um mercado que cria experiências para milhões de pessoas também pode pensar em experiências com sentido evolutivo para o mundo, que continua a girar.
Tenho claro ser essa uma das visões mais potentes para os próximos anos: quando a criatividade não se limita ao impacto fechado no imediato, mas, sim, compromete-se com o cuidado na continuidade da evolução cultural.

Parafraseando Victor Hugo, “Não há nada como um bom sonho para criar um ótimo futuro”.

Imagem do Topo: Divulgação