Você piscou e perdeu a atenção. Literalmente. Em uma era onde os feeds se atualizam mais rápido que nossos pensamentos e vídeos de 10 segundos competem por nossa dopamina, vivemos uma crise silenciosa: a da presença.

A geração que esqueceu de estar aqui

Uma pesquisa da Microsoft revelou que o tempo médio de atenção humana caiu de 12 segundos em 2000 para apenas 8 segundos em 2023 — menos do que o de um peixe-dourado. É isso mesmo: perdemos no placar da concentração para um animal que vive num aquário.

Enquanto isso, o consumo global de vídeos curtos (como Reels, Shorts e TikToks) cresceu mais de 80% nos últimos dois anos (Statista, 2024), alimentando um ciclo vicioso: dopamina instantânea, foco fragmentado, tédio crescente. Resultado? Um mundo hiperestimulado, mas emocionalmente entorpecido.

Segundo o Pew Research Center (2023), 95% dos adolescentes americanos possuem um smartphone, e 46% deles dizem estar “quase constantemente” online.

As consequências: excessso de tela, que gera dependência de dopamina rápida que gera esgotamento mental

Com essa avalanche de estímulos, o cérebro fica em modo "zapping emocional". Pulamos de vídeo em vídeo, de notificação em notificação, mas esquecemos de experienciar algo por completo. A Universidade de Harvard já apontou que as pessoas passam cerca de 47% do tempo pensando em algo diferente daquilo que estão fazendo — um distanciamento do presente com impacto direto na saúde mental.

E não é só distração: é doença. A OMS reconheceu em 2022 que o uso excessivo de telas está diretamente relacionado ao aumento de casos de ansiedade, depressão e insônia entre jovens. Já a Universidade de Calgary, em metanálise de 2023, mostrou que crianças com mais de 2 horas diárias de tela apresentaram até 23% mais chances de desenvolver sintomas de TDAH.

O remédio? Uma experiência “real” e uma multidão com uma paixão em comum

Enquanto os algoritmos nos prometem tudo, o entretenimento ao vivo nos entrega o que mais falta: presença real. Ir a um show, a uma peça, a um festival ou desfile de bloco de carnaval é se reconectar com o "agora". Sem pausar, sem pular, sem acelerar.

Segundo pesquisa da Eventbrite (2022), 70% das pessoas dizem que experiências ao vivo as fazem se sentir mais conectadas com os outros, mais do que redes sociais. E o mais curioso: 78% afirmaram se sentir mais “vivos” após um evento presencial.

É ciência também: neurocientistas da Universidade de Oxford demonstraram que vivenciar um evento ao vivo ativa áreas do cérebro relacionadas à empatia, à memória afetiva e à serotonina — nosso neurotransmissor do bem-estar.

Entretenimento ao vivo: o detox da era da distração

Em um mundo onde um scroll vale mais que mil palavras, escolher estar presente é um ato de rebeldia. E o entretenimento ao vivo é talvez a forma mais poderosa, coletiva e emocional de lembrar que ainda estamos aqui. Juntos. Sentindo. Vibrando.

Não é mais apenas sobre cultura, e sim sobre cura.

Rômulo Carminate é head de planejamento e criação na Dream Factory