Ao longo da minha trajetória, descobri que algumas das respostas que buscamos nos momentos de maior pressão estão escondidas nos lugares mais simples, como na rotina silenciosa do esporte. Quando comecei a treinar, a motivação era quase ingênua: cuidar do corpo, organizar a mente, ganhar ritmo.

Mas a vida, como sempre, tinha outros planos. No meio desse processo nasceu minha filha, e tudo mudou de um dia para o outro. O tempo encolheu, as prioridades se reorganizaram e, ainda assim, algo em mim insistia em manter o movimento. Foi ali que entendi que resiliência não é força bruta; é a sutileza de continuar, mesmo quando nada está exatamente encaixado.

Retomar os treinos depois desse período virou uma metáfora pessoal. Entre noites maldormidas e novos papéis, percebi que o bem-estar não nasce de grandes revoluções, mas de pequenas persistências. E essa compreensão me acompanhou em uma das maiores mudanças da minha vida: assumir a liderança da Ana Gaming.

Mudar de empresa, de contexto e de ritmo é sempre desafiador, mas eu já sabia, pelo esporte, que adaptação não é um ato isolado, é um hábito. A cada dia, a rotina se reorganizou, as decisões ganhavam mais clareza e a energia renovada do treino se transformava em lucidez para conduzir a companhia em meio a tantas transformações do mercado.

Outra descoberta desse período foi o valor de ouvir quem pensa diferente de mim. No ambiente da Ana Gaming, estar próximo das novas gerações deixou de ser uma obrigação profissional e se tornou um privilégio. A forma como os jovens se expressam, experimentam, consomem e constroem suas relações desafia certezas antigas e acende novas perguntas. Eles têm uma leitura do mundo que não apenas antecipa tendências: redefine o presente. E acompanhar essa visão me ajuda a manter a empresa inquieta, curiosa e conectada ao que realmente importa.

Mas vivemos um tempo em que nada permanece igual por muito tempo. A tecnologia cria caminhos, pontes e atalhos em uma velocidade que muitas vezes nos ultrapassa. E, mesmo admirando essa potência transformadora, sigo convencido de que nenhum avanço vale a pena afastar o humano do centro das decisões. Inovação sem empatia vira ruído.

Eficiência sem propósito vira vazio. Por isso, aprendi a olhar para cada novidade com entusiasmo, mas também com responsabilidade, buscando entender como ela pode potencializar relações, talentos e experiências, em vez de substituí-los.

No fim, percebo que tudo se conecta. O esporte me ensinou a ter disciplina e constância; ouvir novas gerações me ensinou humildade e curiosidade; a tecnologia me ensina, todos os dias, a me reinventar.

E, entre um passo e outro, descobri que o futuro não é sobre prever o que vem aí, mas sobre construir quem seremos quando ele chegar. Continuo acreditando que, em um mundo acelerado, o que nos mantém inteiros não é a pressa, é a capacidade de permanecer humanos.

Marco Túlio Oliveira, CEO Ana Gaming