Vinícius Fagundes, fundador e CEO da BonifiQ
Quando me convidaram para escrever sobre o que me inspira, minha primeira reação foi pensar nas referências clássicas. Grandes empresários, líderes admirados, pessoas que construíram histórias extraordinárias. Aqueles nomes que aparecem em biografias, palestras e listas de sucesso. Mas quanto mais eu pensava sobre o tema, mais percebia que estava olhando para o lugar errado. Minhas maiores inspirações nunca estiveram em palcos ou capas de revista. Elas sempre estiveram muito mais perto do que eu imaginava. Dentro da minha casa.
Meu pai é filho adotivo. Perdeu os pais muito cedo e, ainda jovem, precisou aprender a se virar sozinho. A vida não lhe ofereceu muitos atalhos. O que ofereceu foi a necessidade de desenvolver coragem e resiliência.
Quando se casou com minha mãe, eles começaram a construir juntos uma família. Vieram três filhos e, com eles, muitas escolhas difíceis. Meus pais abriram mão de diversas coisas ao longo dos anos para garantir aquilo que consideravam mais importante: a melhor educação escolar que podiam oferecer para nós.
Meu pai sempre foi inquieto. Mesmo trabalhando, buscava maneiras de empreender para complementar a renda da casa. Testava ideias, arriscava, tentava novamente. Nem sempre dava certo, mas havia algo muito claro naquele exemplo diário. A vontade de não se acomodar diante das dificuldades.
Com ele aprendi cedo que coragem não significa ausência de medo. Significa seguir em frente apesar dele. Minha mãe, por sua vez, sempre foi uma mulher à frente do seu tempo. Trabalhadora incansável e dona de um otimismo que nunca parecia se esgotar. Nunca havia tempo ruim para ela. Sempre enxergando o copo meio cheio e sempre acreditando que as coisas podem melhorar.
Foi também ela quem, muitos anos atrás, insistiu para que eu estudasse tecnologia. Lembro-me de ouvir dela que aquilo seria o futuro. Na época talvez eu não tivesse dimensão do impacto daquela frase. Hoje percebo o quanto aquele incentivo ajudou a moldar minha trajetória.
Ao longo da vida também aprendi muito com minha mulher, Juliana. Com ela entendi algo importante sobre inspiração e motivação. Muitas vezes associamos realização apenas ao empreender ou ao construir grandes negócios. Mas a verdade é que aquilo que move cada pessoa pode nascer em lugares muito diferentes.
A motivação é algo profundamente individual. O que inspira uma pessoa não precisa servir de régua ou comparação para outra. Cada história tem o próprio ritmo, as próprias prioridades e as próprias definições de realização.
Foi justamente essa combinação de exemplos que acabou moldando minha forma de enxergar o mundo e o trabalho. Crescer vendo resiliência, otimismo e coragem dentro de casa me deu confiança para sair do caminho mais óbvio e seguir pela jornada do empreendedorismo. Foi assim quando fundei a Yourviews, dando meus primeiros passos nesse universo, e continua sendo assim até hoje. Empreender, para mim, sempre foi menos sobre perseguir um resultado e mais sobre ter coragem de construir algo novo.
Na BonifiQ, o que me inspira todos os dias é justamente essa construção coletiva. A ideia de criar uma empresa em que as pessoas se sintam parte real da jornada. Onde cada colaborador entenda que não está apenas executando tarefas, mas ajudando a construir algo maior. Queremos transformar a forma como varejistas e consumidores se relacionam com loyalty no Brasil. E fazer isso não apenas com tecnologia, mas com propósito, cultura e senso de pertencimento.
No fim das contas, percebi que inspiração não precisa vir de histórias distantes ou trajetórias extraordinárias. Às vezes ela nasce de exemplos silenciosos. Com os quais convivemos todos os dias sem perceber que estão moldando nossa forma de enxergar o mundo. No meu caso, ela começou dentro de casa.