Quando olho para minha trajetória na publicidade, percebo que ela começou muito antes de entrar na universidade. A paixão por comunicação me acompanha desde os tempos do ensino fundamental. Aos 13 anos, recebi uma tarefa que despertou minha curiosidade: criar um mesmo texto com duas abordagens: informativa e persuasiva. Entreguei a atividade, mas durante dias, por vontade própria, ficava refazendo e mostrando a professora; experimentando, criando. Essa experiência marcou minha relação com a criatividade.
Pouco tempo depois, um teste vocacional de resultado improvável: oceanografia. Nasci e cresci em uma cidade sem praia: Mossoró, no Rio Grande do Norte. Sem acreditar muito no resultado, fui ler as atribuições de cada profissão listada no teste. Na ordem alfabética: oceanografia, odontologia e publicidade. Foi como se uma lâmpada acendesse: “Publicidade. É isso que eu estava fazendo naquela atividade!”. Aquela curiosidade inicial transformou-se no desejo concreto de explorar esse universo.
Minha jornada começou em um estado onde as oportunidades no mercado publicitário ainda eram raras. Quando a universidade abriu as portas, trouxe com ela as primeiras agências, e eu não perdi tempo. Movido pelo fascínio de consumir publicidade, comecei a construir meu portfólio. Aceitei desafios que me levaram de Mossoró a Natal, onde experimentei pela primeira vez o trabalho em agências maiores. Mais tarde, cheguei a João Pessoa e, por fim, a Recife, onde estou hoje.
Cada mudança de cidade me trouxe novas culturas, clientes e formas de pensar. Essa constante adaptação aguçou minha curiosidade. Uma frase do professor José Predebon me inspira até hoje: “Pense como um turista”. Essa ideia de olhar o mundo com os olhos de quem está descobrindo algo pela primeira vez tornou-se um hábito essencial tanto na minha vida pessoal quanto na profissional.
Durante minha carreira, figuras emblemáticas da publicidade serviram como inspiração. Celso Loducca, com sua trajetória multifacetada, mostrou como a curiosidade por diferentes assuntos enriquece a criatividade. Nos primeiros anos, consumi publicidade de forma voraz, mas com o tempo, aprendi a buscar referências em outras fontes, explorando cultura, arte, conhecimento em diversas áreas e, claro, no cotidiano.
Outros grandes nomes do mercado também marcaram minha formação. Marcello Serpa, Washington Olivetto, Joanna Monteiro e Renato Fernandes são exemplos que influenciaram minha visão como publicitário. E, entre tantas ideias poderosas, uma fora da publicidade, de Rubem Alves, ressoa particularmente comigo: “Eu quero desaprender para aprender de novo”. Em um mundo que se transforma constantemente, aprender a aprender é o primeiro passo para manter o entusiasmo.
Fora do ambiente publicitário, cultivo paixões que complementam minha criatividade. Tenho um carinho especial pela fotografia, mas minha verdadeira paixão é aprender. Leituras sobre os mais variados temas me ajudam a expandir perspectivas e me manter aberto ao novo.
Quando olho para o futuro, faço isso com esperança e entusiasmo. Quero explorar projetos que me permitam crescer sem comprometer a felicidade. Acredito que o equilíbrio entre trabalho e alegria é essencial para enfrentar os desafios de um mundo em constante mudança. Enquanto a curiosidade estiver ao meu lado, sei que minha trajetória na publicidade continuará sendo uma feliz jornada de descobertas.
Nilo Thiago é sócio e vice-presidente de criação da Lean Agency