O ponto principal é contextualizar ESG mais como ferramenta de gestão de empresas
Tendo como base o contexto internacional conturbado desses dias atuais, tem gente propondo um novo significado para a sigla ESG. Ela seria agora Economia, Segurança e Geopolítica.
A reflexão é interessante, se pensarmos em termos mais institucionais e estratégicos, no campo macro, de gestão governamental.
Analisando o proposto novo E, de Economia, de fato, os fatores econômicos são – e sempre serão – de grande relevância em qualquer contexto, e nunca foram desconsiderados no ESG original.
Mas não há como levar para um segundo plano as questões ambientais do E original (Environmental), quando permanecemos sob riscos climáticos de enorme importância.
As ameaças climáticas continuam presentes, demandando atitudes concretas de governantes, gestores de empresas e das pessoas, de um modo geral.
E a gestão ambiental consciente e a consequente transição energética representam também um oceano azul de oportunidades de desenvolvimento econômico.
Então não devemos dissociar o E, de Environmental do E, de Economia. Cabe ainda a reflexão do E, de Energia, devido sua importância estratégica nesse mundo de onipresença da IA.
Podemos dizer que o E, de ESG, ficou gigante no contexto atual, isso sim.
A mudança do S, de Social, para Segurança é até pertinente quando analisamos o quadro de instabilidade institucional generalizado, mas como não continuar com o olhar sobre as questões sociais, num mundo onde mais de 700 milhões de pessoas passam fome e que o abismo social só fica mais profundo, com os ricos concentrando cada vez mais riqueza e os mais pobres subjugados a uma vida medíocre de subsistência?
E a discussão do impacto da IA sobre a vida das pessoas? Sem falar nos aspectos de DE&I, tão relevantes para as questões de justiça social. E finalmente, temos o novo G, de Geopolítica, versus o G original, de Governança. Se pensarmos em Governança de uma maneira mais holística, vemos que ela está presente em todas as questões, inclusive na geopolítica. Como lidar com os arroubos autoritários do governante da maior economia mundial e as reações de defesa e contraposição, à qual são impelidas as demais potências?
Sim, a Geopolítica ganha enorme importância nos dias atuais, exigindo uma Governança estratégica muito mais assertiva.
Mas o ponto principal, na minha avaliação, é contextualizar ESG mais como ferramenta de gestão de empresas, focando mais as ações sob seu controle, mas tendo, logicamente, um olhar nas variáveis incontroláveis, em âmbito macro.
Sob esse ponto de vista, as empresas devem continuar inserindo no seu planejamento estratégico as variáveis ambientais – uso de recursos naturais, tais como energia e água; gestão de resíduos; pegada de carbono, entre outras –, as sociais – DE&I; gestão de talentos; filantropia – e as de governança – gestão transparente; código ético de conduta; relacionamento empático com stakeholders.
Essas variáveis, independente de quão hype possa estar o conceito ESG, estão sendo incorporadas naturalmente na administração moderna.
Não devemos encarar ESG necessariamente como uma certificação a ser obtida (é até bom que seja), mas um conjunto de critérios a ser considerado durante o planejamento estratégico da empresa.
A pergunta-chave que as empresas devem se fazer é: ‘Qual o impacto da nossa operação?’.
O desafio é buscar um impacto sempre positivo, de redução de uso de recursos naturais, de circularidade, de respeito social, de ética e transparência.
As empresas em estágio de maior maturidade ESG já não encaram seus princípios como uma obrigação, mas como um modelo eficaz de administração.
E há exemplos de sobra que esse modelo torna as empresas mais produtivas e rentáveis. Esse é o ESG que queremos!
Alexis Thuller Pagliarini é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br