O Instituto Sou da Paz lançou ‘Mira’, intervenção urbana criada pela Tech&Soul como parte da campanha apartidária ‘Vote Pela Paz’. A ação projeta uma mira de laser vermelho sobre grafites que retratam mulheres e pessoas negras na região central de São Paulo, com o objetivo de chamar a atenção para os grupos mais afetados pela violência e incentivar a cobrança de propostas dos candidatos nas eleições.
A intervenção utiliza obras de Gugie Cavalcante, Apolo Torres, Marissa Noana e Luna Bastos, localizadas no Centro Histórico e na Bela Vista. A mira é posicionada sobre as figuras representadas nos murais para criar a imagem de que estão na linha de tiro. Os trabalhos podem ser visitados gratuitamente.
“A violência armada não é uma ameaça abstrata: ela tem rostos e vítimas. Atinge de forma especialmente grave mulheres e pessoas negras. Ao colocar essas pessoas, literalmente, na mira, queremos sensibilizar para essa realidade, muitas vezes traduzida apenas em números e reforçar a urgência de discutir caminhos concretos para reduzir a violência e salvar vidas”, diz Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz.
Segundo a pesquisa ‘O que pensa a população brasileira sobre segurança pública?’, realizada pelo instituto, mais de 80% da população considera os assassinatos uma violência preocupante em suas cidades. O levantamento aponta ainda que 70% dos homicídios no país são cometidos com armas de fogo e que pessoas negras representam 77% das vítimas.
“A ação foi pensada exatamente a partir dessa contradição: se a violência já colocou mulheres e pessoas negras na mira, por que, agora que começamos a campanha eleitoral, não vamos deixar a segurança pública no centro do debate? A ideia é tornar visíveis as propostas dos candidatos e provocar o eleitor a cobrar respostas concretas para a violência”, afirma Zim Hernandez, diretor de criação da Tech&Soul.
A campanha também inclui a agenda eleitoral ‘Brasil em Ação pela Paz – Propostas para uma segurança pública de verdade’. O documento reúne propostas divididas em cinco eixos: preparação das polícias, combate ao crime organizado, redução de roubos, proteção de meninas e mulheres e retirada de armas das mãos do crime.




