Criado no Recife (PE), Smartlet inaugura nesta quinta (16) mais uma unidade em Maceió (AL); plano de negócio é focado em naming right

Projeto assinado pela Videoporto e pela startup Hephaenergy, o Smartlet nasceu no Recife com a proposta principais de ser um mobiliário urbano capaz de unir a sustentabilidade e a tecnologia. O DOOH oferece wi-fi e dispositivos para carregar celulares, ao mesmo tempo em que consegue extrair informações como a qualidade do ar, temperatura, índices pluviométricos, UV, etc.

A primeira unidade foi instalada no bairro do Recife, no centro da capital pernambucana, e ocupa um espaço equivalente a dois carros – e é capaz de abrigar até 20 pessoas. E nesta quinta-feira (16), o mobiliário urbano chega a sua segunda capital: na Ponta Verde, na orla de Maceió (AL).

"O Smartlet é um símbolo de uma nova forma das pessoas se relacionarem com os espaços urbanos públicos. Estamos falando de um ambiente vivo, capaz de promover integração entre pessoas e oferecer serviços gratuitos de qualidade para a sociedade", afirmou Fernando Carvalho, sócio-diretor da Videoporto.

Notebook carregando em um Smartlet: plano de 50 unidades até o final deste ano (Fotos: Leo Caldas/ Divulgação)

Para 2023, a ideia é que o DOOH esteja em 50 pontos de, pelo menos, cinco capitais brasileiras. Nesta entrevista com o PROPMARK, o executivo conta, entre outras coisas, que uma das principais apostas, em relação ao modelo de negócio, é o naming right.

Mobiliário sustentável
Unir tecnologia à sustentabilidade é algo que está presente no DNA da Videoporto. Quando ingressamos no mercado de DOOH, há mais de dez anos, já buscávamos fazer uma comunicação limpa e sustentável. Isso muito antes dessa pauta entrar "na ordem do dia das empresas". O Smartlet surge como um projeto compartilhado entre a Videoporto e a Hephaenergy, startup também nascida no Porto Digital do Recife, resultado de observações e pesquisas detalhadas sobre que cidades queremos para o futuro. O Smartlet é, na verdade, mais que um mobiliário urbano inteligente e autossustentável energeticamente. É um símbolo de uma nova forma das pessoas se relacionarem com os espaços urbanos públicos. Estamos falando de um ambiente vivo, capaz de promover integração entre pessoas e oferecer serviços gratuitos de qualidade para a sociedade, no meio da longa jornada diária de tanta gente. Isso não é trivial e é muito poderoso. Conseguimos extrair informações, como temperatura, qualidade do ar, índices pluviométricos, condições de energia e uso dos equipamentos, tudo através de sensores, em tempo real. O equipamento passa a ter vida própria, a partir do momento em que conseguimos informações de consumo e automação suficientes para tomada de decisões, como ligar e desligar os sistemas de luz, som, display e câmeras. Tudo para atender as necessidades do cidadão, no espaço público, fora de casa. A cidade precisa, cada vez mais, ser das pessoas, ser de todas e todos. Estamos apenas no início da história de um mobiliário democrático, mutável e inteligente.

Onde estão
Recife foi a primeira capital a receber o Smartlet. Está em operação desde o início de novembro, numa das áreas mais representativas da capital pernambucana: o Bairro do Recife, coração cultural e histórico da cidade. O Smartlet foi o primeiro projeto aprovado pelo Eita Labs, que é um tipo de "laboratório e céu aberto" criado pela prefeitura para avaliar e chancelar iniciativas urbanas inovadoras. São pouco mais de três meses de uso pela população. A recepção do público ao Smartlet nos surpreendeu muito, foi muito além das nossas expectativas.  Para além de todos os serviços que são oferecidos no espaço, como wi-fi gratuito e de ótima velocidade, pontos para carregamento de dispositivos digitais, o Smartlet se tornou um lugar de interação entre as pessoas. É extremamente gratificante perceber como ele foi abraçado pelos frequentadores daquela área da cidade.

Fernando Carvalho, sócio da Videoporto, em frente ao mobiliário do Recife 

Plano de expansão
Já avançamos em conversas em várias capitais. Nosso plano é, ainda neste primeiro semestre, começar a expansão no Sudeste, iniciando por São Paulo e Rio de Janeiro. Até o fim do ano, nossa meta é estar em, ao menos, mais quatro capitais, além de Maceió e Recife. No próximo ano, pretendemos inaugurar o primeiro Smartlet fora do Brasil.

Modelo de negócio
Trabalhamos com alguns modelos de negócios, mas priorizamos o de naming rights. Esse é um modelo que envolve diretamente três atores: o Smartlet, o poder público e uma marca patrocinadora. O poder público, normalmente prefeituras, nos concede o direito de uso do espaço, e o patrocinador tem a sua marca associada a uma iniciativa urbana inovadora e autossustentável energeticamente. Importante destacar que o Smartlet tem conexão ampla com os valores que norteiam ações de ESG. Além também de atender a vários dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para o Brasil até 2030.

Anunciantes
Algumas marcas nos procuraram e outras já testaram presença nesse período de estreia. Sabemos do potencial transformador e temos a consciência de que estamos desenvolvendo uma poderosa ferramenta que harmoniza sustentabilidade com inclusão digital. É um projeto urbano disruptivo. Um equipamento que veio para fazer a diferença na requalificação do espaços públicos. Um ambiente de interação, de convívio. Buscamos sinergia com marcas que realmente tenham empatia com questões sociais.

Unidade do Recife foi inaugurada em novembro do ano passado 

Interações
A interação com o público acontece a partir do display digital, do som, dos letreiros e áreas de ativação que transformam o mobiliário até num ambiente instagramavel. Através do acesso ao wi-fi livre é possível uma conversa mais estreita, como pesquisa de opinião pública, tudo dentro da Lei Geral de Proteção de Dados. O design moderno e perfil contemporâneo do mobiliário acaba elevando o fluxo de pessoas. É um ponto de encontro para várias atividades e mexe até com os negócios locais do entorno. Em termos de comunicação tem um impacto duradouro. O público pode usar, materializar, tocar, experimentar, trabalhar, tudo num único espaço, que começa a fazer parte da vida das pessoas.

Mensuração
Hoje 300 cidadãos pedestres são contemplados, por hora, e ainda praticam sustentabilidade. Sem falar das pessoas que são impactadas de dentro dos veículos. Mas, muito mais do que números, estamos tratando de relevância social. Estamos imersos nos conceitos de smart cities e nas reais práticas de ESG. O tempo todo o Smartlet toca as pessoas com alguma das funcionalidades. Nos baseamos na regra universal de parklets, nascida em São Francisco, na Califórnia, e embarcamos muita tecnologia em um espaço de 20 m2, o equivalente a duas vagas de estacionamento público. Ou seja, antes, dois carros estacionados nessas vagas emitiram, por hora, 150g de dióxido de carbono para chegar até ali e beneficiar, no máximo, oito passageiros. Toda a estrutura do espaço – revestido por madeira plástica reciclada - é alimentada por energia solar e equipada com sensores de monitoramento de chuva, qualidade do ar e de presença.

Wi-fi e carregadores de celular 

O público tem acesso livre a wi-fi de qualidade, carregadores para celulares – incluindo indutores wireless - e notebooks. A marca é responsável por toda esta oferta e assina o Naming Rights. Para muito além da mídia, conseguimos alcançar o público de forma direta e transformadora. A tecnologia permite que consigamos identificar quantas pessoas se conectaram e, desde o acesso ao wi-fi, com o cadastro rápido, entender o perfil de cada usuário. Percebemos que grande parte dos visitantes utiliza o espaço apenas para descansar ou contemplar escutando música, por exemplo. Estamos sempre em busca de novas tecnologias e soluções sustentáveis para ajudar a melhorar vidas da forma correta.