Fundador da holding, Marcel Bleustein-Blanchet desbravou a publicidade e construiu um império hoje unido sob o conceito ‘Power of one’
O francês Marcel Bleustein-Blanchet lutou como um leão pela publicidade. Mas antes de contar essa peripécia é preciso revisitar as suas batalhas de vida. O fundador do Publicis Groupe lutou contra a Alemanha nazista para proteger a França durante a Segunda Guerra Mundial.
Conseguiu chegar a Londres e, com a ajuda do general Charles de Gaulle, se alistou na Oitava Força Aérea dos Estados Unidos. Arrasado, teve de bombardear a própria pátria para neutralizar posições alemãs em terras ocupadas a partir de 1942.
A coragem triunfou. O copiloto foi até condecorado com a Legião de Honra pelo ministro de Estado à época, o general Corniglion-Molinier.
Demonstrou ainda mais bravura ao enfrentar seu pai. Aos 12 anos, abandonou a escola para trabalhar no negócio da família. Vendia móveis nas ruas e descobriu aí a sua capacidade de persuasão - não à toa o livro ‘The rage to persuade’ resume a sua carreira.

No preâmbulo desta empreitada, escreveu anúncios para atrair fregueses. A propaganda já fluía de sua alma. Partiu, então, para uma atividade que sequer existia. “Você quer vender vento?”, repreendeu o pai. “O vento faz os moinhos girarem”, retrucou.
E eles sopraram forte. Em 1926, Bleustein-Blanchet criou a Publicis, mistura da palavra publicidade (publicité, em francês) com “cis”, que vem da sonoridade do número seis (six, em francês), em referência a 1906, quando ele nasceu.
Aos 20 anos, o jovem publicitário fez da pequena sala no bairro de Montmartre, em Paris, o primeiro endereço do que viria a se transformar em um império. Não tardaria a imprimir a sua psicologia de vendas, voltada a mensagens positivas para produtos de qualidade confiável - uma espécie de código de ética que o acompanharia para o resto da vida. A abordagem era inédita.
Nas décadas de 1920 e 1930, assuntos ligados a doenças e tensões geopolíticas dominavam os jornais. O mundo acabara de sair da Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918. E caminhava para a eclosão de outro conflito ainda mais sangrento, a Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945.
Leia a íntegra da reportagem na edição impressa de 13 de abril