Rana el Kalioub tenta ensinar máquinas a detectar sentimentos
A cientista de inteligência artificial e empreendedora Rana el Kalioub conduziu o painel ‘Why the future of AI must be human centric’ na tarde deste domingo (15), quarto dia do South by Southwest (SXSW), que ocorre em Austin, no Texas, até 18 de março de 2026, com mais de 600 sessões. Bob Safian, apresentador do ‘Rapid response’, podcast de entrevistas sobre negócios, fundador do The Flux Group e ex-editor-chefe da Fast Company, foi o mediador da conferência de Innovation.
“A TI reúne pessoas”, diz Rana, autora da obra ‘Girl decoded’, que relata a sua história. Do Egito para o Vale do Silício, ela narra os seus esforços para fazer com que a tecnologia entenda emoções. Os estudos de Rana mostram que o contato humano é não verbal. “Mais de 90% da comunicação emocional acontece por meio de expressões faciais, gestos e tom de voz”, ressalta.
Já as interações digitais feitas por meio de mensagens, redes sociais e videoconferências não captam as sinalizações demonstradas pelo rosto humano. Para Rana, as máquinas precisam aprender a ler emoções a fim de melhorar a sua relação com os humanos. Hoje, as interações são mediadas por telas, que reduzem as pistas emocionais, enquanto os algoritmos buscam lógica e dados, tornando a comunicação fria, enviesada e desumanizada. “A IA avançou, mas precisa combinar o lado emocional e o social”, aponta.

Segundo a especialista, a próxima fronteira de desenvolvimento deve remodelar inteligências artificiais que passarão a ser capazes de reconhecer as feições humanas. “A IA poderá simular respostas de forma mais empática”, analisa. Rana acredita que uma nova geração de IA, mais responsiva às emoções, terá ainda mais potencial para alavancar habilidades e conexões humanas - e não substituí-las -, e ajudar a resolver problemas da sociedade.
“Empresas devem encorajar as pessoas a experimentar ferramentas. Ter curiosidade para testá-las. Todos os nossos fluxos de trabalho estão mudando”, observa. Embora uma ferramenta, a IA não pode ter o seu caráter de mudança ignorado. “Ela está abrindo oportunidades”, situa.
Mas essa reconstrução precisa vir acompanhada de ética, confiança e segurança. Reconhecer emoções digitais levanta ainda questões de privacidade e consentimento. “Essa é a responsabilidade dos investidores”, avisa Rana, que é cofundadora da empresa Affectiva, criada no MIT e dotada de tecnologia para analisar microexpressões faciais e sinais emocionais, com aplicações na publicidade e pesquisa de mercado, saúde mental, segurança automotiva e educação digital.
Colaboração e comunicação são skills que podem ser aprimorados. Ela acredita que a IA precisa entender como o mundo real funciona e recomenda mecanismos de controle e barreiras para que a tecnologia não tome o lugar de humanos ao tentar, por exemplo, resolver problemas ligados à saúde mental. “Ainda não temos segurança suficiente para isso. Cada modelo precisa ser testado. Não gostaria, mas caminhamos para um mundo onde isso poderá ser normalizado. Hoje, as pessoas estão muito solitárias”, avalia.