Para alguns executivos, no entanto, entre as principais dificuldades do ano está o ambiente político

O ano será desafiador. Esta é a opinião da maioria dos CEOs das agências de live marketing, um dos setores que mais sofreram durante a pandemia e espera retomar as atividades com força em 2022. Alguns lembram que entre as dificuldades do ano novo está o ambiente político, já que a eleição para presidente da República promete um movimento acima da média. Mas, muitos acreditam que será o ano da retomada – que seja assim, amém! Veja a seguir os depoimentos.

Bazinho Ferraz - CEO, founder & partner da B&Partners.co

"Um ano de muitas incertezas, de eleição e aumento de inflação, fazendo com que as empresas passem a olhar para todas as linhas de custo, não só para a receita. Em vez de pensar somente experiências off, como era até 2019, ou somente on, como foi ao longo de 2020 e 2021, teremos o desafio de equacionar e criar experiências ‘phygital’ tanto para entretenimento quanto para ponto de venda. As grandes empresas vão investir cada vez mais em tecnologia e o desafio é a integração da estratégia com as ferramentas de awareness e growth. Integrar performance com o marketplace, UX, UI e CRM. Os creators e influencers impulsionando cada vez mais essa máquina de vendas, live streaming, live streaming commerce e social commerce. Tudo isso transformando cada vez mais essa experiência de compra e sendo ainda mais crucial uma boa gestão de dados em toda essa jornada para que as empresas criem operações proprietárias.”

Juliana Ferraz - Sócia e diretora de negócios e relações públicas da Holding Club

"2022 será um ano de readequação e muito experimento em função do mundo digital. 2022 promete e, claro, não podemos esquecer da saúde, da segurança, das pessoas. O setor de eventos nunca esteve tão aquecido. Desde o fim de 2021 estamos em um processo intenso de preparação para este ano e os clientes estão a todo vapor.”

Fernando Guntovitch - CEO da TG

"2022 será um ano difícil sob o aspecto econômico, com bastante volatilidade e tensão por causa das eleições. Por outro lado, as pessoas estão ávidas para se divertirem e serem surpreendidas com coisas boas. E nós estamos trabalhando para isso. Para propor soluções diferentes, divertidas e com alto-astral.”

Edinho Potsch - CEO e fundador da Sherpa42

"A expectativa é de um 2022 bastante movimentado, com muitos eventos presenciais acontecendo e marcas ativando ainda mais para estarem mais próximas do seu consumidor após estes dois anos. Acreditamos que será um ano muito especial, pela retomada dos eventos presenciais, com várias marcas presentes em contato constante, e live com seus consumidores.”

Duda Magalhães - Presidente da Dream Factory

"A expectativa é de retomada dos nossos projetos que acabaram sendo cancelados ou adiados nos últimos dois anos. Além disso, teremos outros grandes eventos-proprietários, como Rio Mountreux Jazz Festival, RMC, ArtRio, Maratona do Rio, Mano a Mano, a Árvore do Rio e os Sertões, que comemorará 30 anos junto aos 200 anos da república em edição especial “do Oiapoque ao Chuí”. Em 2022, também teremos eventos de lançamento como a ArtSampa, em março, na OCA, em São Paulo, e a VidCon, também na capital paulista, entre outros que ainda serão divulgados. Enfim, será um ano realmente especial e eu não falo apenas pela Dream Factory, mas para todo o setor de eventos, que promete uma corrida para ocupar as datas do calendário no próximo ano.”

Gustavo Sampaio - Diretor-executivo da VIV Experience

"A VIV Experience nasceu em 2019. Menos de um ano depois do seu surgimento no mercado veio a pandemia e tivemos de repensar a maneira como fazíamos e entendíamos o live marketing. Afinal de contas, o comportamento do consumidor mudou. 2021 já nos mostrou um pouco do que teremos daqui por diante. O digital fará cada vez mais parte do presencial. Apesar dos problemas econômicos e dos conflitos sociopolíticos que devem se intensificar, estou confiante de que 2022 será um período da grande retomada do mercado de eventos, um segmento crucial para a economia do país, que movimenta R$ 200 bilhões por ano. Visualizo também uma nova forma de se criar experiências, com formatos mais imersivos e personalizados.”

Marilia Queiroz - Diretora de negócios da ARC

“Pra nós é um momento muito especial como agência de shopper marketing, a forma de consumo mudou, surgiram novos canais e estamos acompanhando essa revolução. 2022 será um ano cheio de oportunidades e estamos preparados com dados, ferramentas, conhecimento e inovação. A ARC está cada vez mais imersa na jornada do consumidor, tornando os nossos clientes mais relevantes através de conexões duradouras e apaixonantes com o shopper.”

Marcelo Checon - CEO da MChecon e da holding M&Co

"Há muito tempo que o público não se contenta com pouco. Cada vez mais as experiências nos eventos precisam ser profundamente relevantes e imersivas. Isso muda totalmente a dinâmica de interação, de tecnologia aplicada, de produção e conteúdo. O phygital, agora chamado de metaverso, é uma realidade e continuará sendo em 2022. E os eventos vão acontecer, seja no mundo físico, digital ou misto. Por isso, cabe a nós, enquanto montadoras, começarmos a atuar ao lado das empresas de tecnologia - como streaming e realidade aumentada - para conseguirmos proporcionar uma experiência interativa completa ao público, esteja ele numa tela ou numa arena.”

Ian Black - CEO, founder & partner da New Vegas, da B&Partners.co

"Modelo remoto, presencial ou híbrido. Embora eu entenda que esse debate tenha sido antecipado de forma prematura, esse tema será recorrente e necessário. No final, descobrimos que é possível, sim, trabalhar remotamente com ótimos resultados na produtividade, mas o mais importante é que essa nova realidade escancarou a urgência de considerar as vidas das pessoas para além do trabalho. Muitas pessoas moram muito longe do local físico de trabalho (quando não em outras cidades, estados e países), têm necessidades especiais de trabalho por conta de dependentes, necessitam de infraestrutura para trabalhar... Isso tudo abre espaço para que líderes reflitam e decidam por modelos que atendam a todas essas realidades, e não só se preocupem com as particularidades de infraestrutura das sedes físicas. Consultorias para o presente do trabalho podem se dar muito bem orientando as empresas a tomarem decisões lúcidas neste momento de incertezas.”

Enricco Benetti - CCO & Partner da BFerraz

"A gente vai entrar numa onda de metaverso das coisas. Esse novo ambiente já existe e vai ditar as regras de um futuro próximo. E digo próximo porque hoje em dia tudo é acelerado de forma brutal. Todas as indústrias vão ser impactadas, pois vai ter trabalho para todo mundo. Do experience - aqui inclusive será menos construir e mais modelar - ao Direito, que com certeza em algum momento vai ter de atuar no que acontece lá. É aqui que entra meu ponto. Como e quem vai ditar o lado ético, social e civilizatório das coisas em um ambiente que ainda não tem nada estabelecido? Como serão feitas as leis desse mundo? Como será a ética dos influenciadores no metaverso? Marcas já estão apostando em suas atuações lá dentro que serão muito inovadoras e criativas, mas precisa ter esse olhar social também e eu estou ansioso pro que vem por ai, acredito que vai ser muito desafiador, mas a perspectiva para esse novo universo paralelo é gigante, tem muita coisa pra acontecer.”

Patrícia Costa - Diretora-presidente da Propague

"O caminho sem volta é investir em novas tecnologias para que o contato entre marcas e pessoas aconteça independentemente da forma: presencial, híbrido ou exclusivamente digital. A internet encurtou distâncias, mas ao mesmo tempo distancia as pessoas. E para que isso não aconteça, acreditamos que a tendência é o uso da tecnologia de forma humanizada, imersiva, com experiências customizadas e interativas. E cada vez teremos consumidores mais exigentes, que buscam a experiência personalizada e desejam marcas que usem a tecnologia para melhorar esta relação.”