Em entrevista à ESPN, Samir Xaud se pronunciou sobre polêmica envolvendo o termo na campanha do uniforme da seleção brasileira
Após a repercussão negativa em torno da nova camisa da Seleção Brasileira, o presidente da CBF, Samir Xaud, afirmou que a expressão “Vai, Brasa” não será utilizada no uniforme oficial. Segundo o dirigente, o termo faz parte de uma iniciativa publicitária da Nike e não integra o uniforme principal da equipe.
De acordo com Xaud, a decisão considera a preservação da identidade da seleção. "Nosso uniforme é o nosso manto e é o verde e amarelo. Nosso nome é Brasil', afirmou em entrevista à ESPN.
O dirigente também declarou que foi surpreendido pela proposta e que, após a repercussão inicial, a CBF optou por não incorporar a expressão ao uniforme.
"Estou aqui para esclarecer e tranquilizar a nação brasileira que isso não confere e não vai ter ‘Brasa’ no nosso futebol. Não vai ter, até porque é respeito ao nosso uniforme e bandeira. Nosso nome é Brasil. Então vai ter Brasil no meião e não ‘Brasa’”, concluiu ele na entrevista.
'NÃO VAI TER BRASA!': Em entrevista exclusiva à ESPN, Samir Xaud, presidente da CBF, foi MUITO direto e falou sobre as polêmicas envolvendo os novos uniformes da seleção brasileira.#brasil #selecaobrasileira #brasa pic.twitter.com/FzfBlPNOfM
— SportsCenter Brasil (@SportsCenterBR) March 26, 2026
Repercussão e debate sobre identidade
A nova camisa da Seleção Brasileira, criada pela Nike para a próxima Copa do Mundo, tem gerado repercussão nas redes sociais desde o lançamento. O modelo passou a ser alvo de críticas principalmente pelo uso da expressão “Vai Brasa” em referência ao país, além da presença do logo da Jordan Brand no uniforme variante.
Assinada pela designer brasileira Rachel Danti, a peça propõe uma releitura contemporânea da identidade da seleção, dialogando com códigos do streetwear. A escolha estética dividiu opiniões entre torcedores e público, que questionam o afastamento de elementos tradicionais associados à camisa.
Segundo análise de especialistas ouvidos pelo propmark, mudanças que não dialogam com o repertório cultural tendem a gerar rejeição. Levantamento conduzido pela professora Lilian Carvalho, da FGV, em parceria com a Polis Consulting, aponta que 75% das menções nas redes sociais entre os dias 21 e 25 de março foram negativas. O estudo analisou cerca de 180 mil publicações sobre o tema.
Nesse contexto, a reação do público passou a influenciar ajustes na comunicação.
A campanha da Nike
A Nike e a CBF apostaram no conceito “Alegria que Apavora” para apresentar a nova camisa da Seleção. Criada pela Wieden+Kennedy SP, a campanha parte da ideia de que a alegria do futebol brasileiro funciona como um diferencial competitivo capaz de desestabilizar adversários.
A narrativa é protagonizada por Vini Jr., Estêvão, Richarlison e Lucas Paquetá e se desdobra em ativações, como a ocupação da Marina da Glória, no Rio de Janeiro, que serviu de cenário para o filme de lançamento.
A instalação utiliza a metáfora de um canarinho preso por 24 anos, em referência ao intervalo desde o último título mundial, que rompe a própria gaiola.
O uso de IA na campanha também acabou gerando uma repercussão negativa, pois o animal gerado pela tecnologia apareceu com três patas nas peças.
O vídeo que a CBF e a Nike postaram em colab.
— Leandro Ricardi (@lericardi) March 25, 2026
Este post, parte da campanha do lançamento da nova camisa amarela da Seleção pra Copa de 2026, é o estudo de caso do ano.
Não é só um erro de IA. É um erro de estratégia, de processo e de cultura corporativa.
É o marketing… pic.twitter.com/BMgBVo6zyX
Imagem do topo: divulgação nike