CEO da Propeg revisita sua trajetória na agência, fala sobre liderança, desafios do presente e uso de tecnologia
Com seis décadas de atuação no mercado e presença própria em seis capitais brasileiras, a Propeg atravessa um momento de reflexão e reposicionamento em um cenário marcado por fragmentação de mídia e mudanças profundas no comportamento do consumidor.
À frente da agência desde 2018, Vitor Barros conduz uma operação que combina herança familiar, independência e uma visão descentralizada de liderança, apostando na criatividade como ativo central. Em um mercado mais conservador e orientado por dados, o executivo defende a adaptação constante sem abrir mão do DNA criativo que historicamente marcou a publicidade brasileira.
Nesta entrevista ao propmark, ele revisita sua trajetória na agência, fala sobre liderança, desafios do presente, uso de tecnologia e as prioridades estratégicas da Propeg para os próximos anos.
Como você resume a sua trajetória profissional até chegar ao cargo atual na Propeg?
A história é bem interessante. A Propeg é uma empresa familiar e, desde pequeno, eu sempre quis trabalhar aqui e com publicidade. Eu passava as férias da escola indo para a agência, observando o que as pessoas faziam, perguntando sobre os processos. Isso foi importante porque, desde cedo, eu sabia que esse seria o meu futuro. Quando entrei na faculdade, comecei oficialmente a estagiar na agência, pela produção. Meu pai sempre dizia que é na produção que tudo pode dar errado, então é ali que você aprende o resto. Foi uma experiência muito rica: entender como uma campanha é produzida, conhecer gráficas, produtoras.
Depois, passei por outros departamentos, como criação e mídia, até me encontrar no atendimento, onde fiquei por bastante tempo. Após me formar, fiz um estágio de seis meses na DM9, em 2012, quando o Brasil vivia um auge criativo muito forte. Foi transformador trabalhar em uma agência fora do ambiente em que eu sempre estive.
Quando voltei, assumi o papel de diretor de integração, com o objetivo de acelerar o digital dentro da Propeg. Defendi que não deveria existir uma unidade separada: tudo precisava ser digital. Esse movimento gerou desdobramentos importantes, como a criação do Grupo PPG, o lançamento de spin-offs e novas frentes dentro da agência.

Esse processo culmina na sua chegada à posição de CEO. O que marcou essa transição?
Em 2018, conduzimos o processo de sucessão: meu pai passou a ser chairman, criamos um conselho de administração e eu me tornei CEO da agência. Desde então, buscamos não apenas ser uma agência grande, mas relevante nos mercados em que atuamos.
Como você define hoje o posicionamento da Propeg dentro do mercado brasileiro?
A Propeg é hoje a única agência brasileira independente com operações próprias em seis capitais. Isso nos dá uma visão de Brasil muito ampla, além do eixo Rio–São Paulo. Desde 2018, também passamos a investir fortemente na marca Propeg como uma agência criativa, ampliando nossa atuação no mercado privado. Mais recentemente, no ano em que completamos 60 anos, iniciamos uma consultoria com Fábio Fernandes, promovendo uma transformação profunda no modo de pensar a agência. É um movimento que vai na contramão das fusões e do apagamento de marcas vistos nas grandes holdings. Estamos pensando em como construir os próximos 60 anos de forma consistente e sustentável.
Como sua herança familiar influencia no seu dia a dia e na sua atuação profissional?
É um privilégio trabalhar com meu pai por tanto tempo e aprender com a experiência dele. O processo de sucessão foi bem estruturado, com apoio de um conselho forte e profissionais experientes. Temos orgulho de ser uma agência que passou para a segunda geração mantendo-se atual. Costumo dizer que uma empresa com essa longevidade vem antes de você e precisa continuar depois de você. Embora seja uma agência familiar, não significa que tenhamos que estar no comando para sempre. O mais importante é a continuidade da marca.
Você passou por diferentes áreas ao longo da carreira. Como essas experiências influenciam sua forma de liderar hoje?
Liderança nunca é individual, é coletiva. Ninguém faz nada sozinho. É fundamental ter um time bom e alinhado, remando na mesma direção. Quando você trabalha com pessoas muito boas, precisa ter a capacidade de se reinventar como líder e rever suas próprias crenças. O mercado de comunicação muda o tempo todo, e a capacidade de adaptação é essencial. Se você não se adapta, vê o negócio ruir. A gente prefere encarar o desafio e seguir em frente.
Quais são os principais desafios que você enfrenta hoje e que não existiam no início da sua carreira?
O maior desafio hoje é chamar a atenção, inclusive a nossa própria atenção, já que nós também somos consumidores. A fragmentação de mídia é enorme. Há 20 anos, era muito mais simples: um filme de televisão, um anúncio de jornal e, muitas vezes, isso resolvia tanto a construção de marca quanto a venda do cliente. Hoje, não basta ter verba. O desafio passou a ser entender como estar presente nas diferentes formas de contato com o consumidor e, principalmente, como fazer isso de maneira relevante. Não é só aparecer onde o consumidor está, mas conseguir estabelecer uma conexão sem ser invasivo, sem gerar rejeição. Tudo acontece em tempo real e isso mudou completamente a dinâmica da comunicação.
Leia a íntegra da matéria na edição impressa de 2 de fevereiro