Especial reúne executivas de agências de comunicação que analisam a evolução de suas carreiras e a transformação do setor, mais aberto às mulheres na posição C-level
liderança feminina no mercado de comunicação vive um momento de inflexão. Se por muito tempo as mulheres foram maioria nas equipes das agências, mas minoria nas mesas de decisão, hoje o cenário começa a se reconfigurar. Mais executivas ocupam posições estratégicas, participam da construção de negócios e ajudam a redefinir o próprio conceito de liderança dentro da indústria criativa.
Essa mudança, no entanto, não aconteceu de forma espontânea. Ela é resultado de trajetórias marcadas por desafios, reinvenções e pela disposição de ocupar espaços que historicamente foram dominados por homens. Para muitas profissionais, o avanço na carreira veio justamente em momentos de maior pressão.
“A liderança é a capacidade de equilibrar três forças ao mesmo tempo: desafio, entrega e pessoas”, afirma Ana Ferraz, CBO e partner da Biosphera.ntwk. Para ela, ocupar um espaço de decisão exige transformar visão em resultado sem perder a conexão humana com o time.
Dados recentes ajudam a dimensionar o contexto dessa transformação. O Relatório Anual Socioeconômico da Mulher 2025 (Raseam), elaborado pelo Ministério das Mulheres por meio do Observatório Brasil da Igualdade de Gênero e com base em indicadores de instituições como o IBGE, mostra que as desigualdades de gênero ainda estruturam o mercado de trabalho brasileiro.
Segundo o levantamento, as mulheres continuam enfrentando maiores obstáculos na inserção e na progressão profissional, com diferenças persistentes de remuneração, participação econômica e acesso a posições de maior autonomia.
O relatório também aponta disparidades importantes dentro do próprio grupo feminino. No segundo trimestre de 2024, por exemplo, a taxa de informalidade atingia 36,8% entre as mulheres ocupadas, sendo ainda maior entre mulheres pretas ou pardas, que registravam índice de 41%. Os dados reforçam como gênero e raça continuam influenciando as oportunidades no mercado de trabalho brasileiro — um cenário que ajuda a explicar por que ampliar a presença feminina em posições de liderança segue sendo um debate central em diferentes setores da economia.
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