Maioria das pessoas não distingue jornalismo de boatos

Barômetro de Confiança da Edelman aponta queda no índice de confiança dos brasileiros nas marcas

Em sua 18ª edição, o estudo global Edelman Trust Barometer revela que os índices de confiança da população caíram em relação a todas as instituições do Brasil. E que as chamadas fake news são muito mais nocivas do que se pensa e ajudam a construir esse cenário negativo que impacta a todos, inclusive mídia e marcas.

Realizada pela Edelman, agência global de relações públicas, a pesquisa mede os índices de confiança no governo, empresas, ONGs e mídia. Foram ouvidas mais de 33 mil pessoas em 28 países, com o trabalho de campo realizado entre 28 de outubro e 20 de novembro de 2017. 

Ao investigar com maior profundidade a mídia, nessa edição, o Trust Barometer identificou que a proliferação de notícias falsas ou distorcidas representa papel muito mais importante que se imaginava na queda da confiança tanto da mídia quanto nas outras instituições (governo, empresas e ONGs).

Sinal disso é que 58% dos brasileiros não sabem diferenciar o que é verdade do que é mentira; por causa disso, 68% não sabem em quais políticos confiar e 48% não sabem em quais companhias ou marcas confiar. E mais: 75% têm medo que as fake news sejam usadas como armas. O estudo revelou ainda que, no  Brasil, 67% das pessoas confessaram não saber distinguir o bom jornalismo de boatos ou mentiras. E outros 39% dos entrevistados  indicaram que interagem com os principais meios de comunicação menos de uma vez por semana.

"Tradicionalmente, a confiança cai quando as pessoas estão com menos esperança sobre seu futuro e aumenta quando elas se sentem mais otimistas", explica Cristina Schachtitz, líder de engajamento corporativo na Edelman. "Nesta edição, os dados revelam um mundo polarizado em relação ao sentimento e é um desafio às organizações navegarem nesse ambiente com realidades tão díspares", completa.

Em meio à crise de confiança e às fake news, a expectativa é de que as instituições se posicionem de maneira transparente. "A confiança só será recuperada quando a verdade voltar para o centro do palco. As instituições devem atender ao apelo do público para fornecer informações precisas e oportunas e se juntarem ao debate público", conclui Richard Edelman, presidente e CEO global da Edelman.

Segundo o Trust Barometer, no Brasil, as maiores quedas de confiança aconteceram no governo, que despencou 6 pontos, chegando aos 18%, e na mídia, que perdeu 5 pontos, agora com 43%. As empresas ficaram com quatro pontos a menos de confiança, e as ONGs, com menos 3. Ambas aparecem empatadas com 57%. Cerca de 81% dos brasileiros acreditam que o governo é a instituição mais corrompida das quatro pesquisadas, quase o dobro da média global. Os movimentos para baixo colocam o Brasil entre os seis países com quedas extremas de confiança, ao lado de Estados Unidos, Itália, África do Sul, Índia e Colômbia.

Embora o estudo indique crescimento na falta de confiança nas marcas, há um dado alentador:  41% dos entrevistados no país afirmam que as empresas representam um caminho para um futuro melhor. Ou seja: a população confia muito no potencial das marcas e de seus executivos para levarem o Brasil adiante.

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