SXSW 2017

Economia colaborativa para construir melhores carros autônomos

Quanto mais dados qualificados de pessoas dirigindo houver, mais rico e perfeito será o sistema

George Otz, palestrante da minha última sessão do dia ontem: The Real Future of Self-Driving Cars, parece ter o hábito de simplificar ao máximo seu discurso, deixando claro quais são as coisas realmente importantes a serem ditas ou feitas. Para começar, sua bio no app do evento resume as informações a alguns poucos fatos extremamente relevantes que o qualificam: 1. Ele quebrou o código do iPhone. 2. Ele foi processado pela Sony por hackear o PS3. 3. Ele agora faz carros autônomos.

 Na mesma linha, ao falar de sua companhia comma.ai, que começou desenvolvendo um software open source, que permite embutir a tecnologia de piloto automático da Tesla em carros antigos, através de um retrofit e hoje começa a desenvolver carros autônomos de segunda geração, ele resume a sua estratégia (chamada por ele, ironicamente, de Master Plan), em 3 etapas: 1. Conseguir Big Data. 2. Ser o dono da rede. 3. Ser rico.

Por mais simplista e jocosa que parece ser essa estratégia, ela descreve bem o que parece ser o futuro dessa indústria e o que poderá separar os vencedores dos perdedores. A lógica começa no fato de que carros autônomos nada mais são do que sistemas inteligentes, que tomam decisões baseados em aprendizados, que são constantemente enriquecidos com novos dados. E quanto mais dados houver, mais assertivo o sistema será, menores, portanto, os índices de erro, o que neste tipo de indústria é literalmente vital.

E quais são os dados relevantes para o desenvolvimento de softwares de carros autônomos? Simples de novo: pessoas dirigindo e tomando decisões em funções de variados eventos que acontecem nas ruas e estradas. As reações das pessoas às situações e o resultado dessas reações são os dados mais importantes que precisam alimentar estes sistemas. Ou seja, quanto mais dados qualificados de pessoas dirigindo houver, mais rico e perfeito será o sistema.

Aqui pulamos para o segundo ponto do master plan da comma.ai: ser dono da rede. De acordo com George, entre todas as empresas envolvidas com o desenvolvimento de soluções para carros autônomos, o Google é o que mais avançado está na solução tecnológica. Por outro lado, eles não têm hoje uma rede grande o suficiente para captar dados de pessoas dirigindo. OK, eles têm o Google Maps e o Waze, mas nestas, que são as melhores e mais usadas soluções de mapas, não se filma a estrada e os eventos que acontecem durante a direção, como um carro que reduz a velocidade à sua frente ou uma criança que atravessa a rua atrás de uma bola.

Para isso é necessário que os motoristas captem em tempo real, em vídeo o que acontece na rua ou estrada que eles estão percorrendo. Quem melhor faz isso é o Uber, que justamente usa a sua rede de motoristas para captar essas imagens em vídeo, atreladas aos dados de navegação dos mapas. A comma.ai deverá ser a segunda em pouco tempo, através de um programa colaborativo, que incentiva as pessoas a usarem um app da marca que capta os seus dados de direção, em troca de pontos que, quando acumulados, podem ser trocados pelos produtos desenvolvidas pela empresa para usar melhor os recursos do seu carro aos quais você não tem acesso normalmente.

A empresa vale-se, portanto, da economia colaborativa e da gamificação para buscar ter o controle de uma grande rede que capta o maior número possível de dados de pessoas dirigindo, para desenvolver um sistema de carros autônomos mais eficiente e menos propenso a erros. Se ele tiver sucesso nesta empreitada, certamente o terceiro ponto de seu master plan será facilmente atingido e ele poderá comprar o iate, que é seu objeto de desejo e com o qual ele fecha a sua apresentação. Para quem hackeou o iPhone o PlayStation, essa não parece ser uma missão tão difícil de alcançar.

André Zimmermann é empreendedor digital nas empresas NetCos, smartclip, AdGlow, Blasting News e Kiddo

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