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45% dos produtos não tiveram economia real na Black Friday, diz Timelens

Empresa de inteligência de dados e comportamento digital da FutureBrand São Paulo aponta preços estáveis, aumentos e falsos descontos durante o período
Imagem: Unsplash

A Black Friday chegou ao Brasil com um desafio de confiança: 45,4% dos produtos monitorados não ofereceram economia real ao consumidor durante o período promocional em 2025. O dado é de uma pesquisa inédita da Timelens, empresa de inteligência de dados e comportamento digital da FutureBrand São Paulo, que acompanhou diariamente 2.373 produtos e mais de 809 mil registros de preços em sites de comparação.

Segundo o levantamento, 21% dos itens mantiveram os mesmos preços durante a Black Friday, enquanto outros 21% ficaram mais caros do que nos dias considerados normais. Em 3,4% dos casos, foi identificado o chamado “falso desconto”, quando o preço é elevado antes da promoção para posteriormente simular uma redução.

Na outra ponta, apenas 16,1% dos produtos analisados apresentaram descontos considerados relevantes, superiores a 15%. A diferença também aparece entre as categorias. Linha branca e eletroportáteis registraram quedas mais consistentes, enquanto segmentos como mercado, farmácia, brinquedos, moda e acessórios tiveram pouca variação de preços durante a data.

“Os dados da nossa pesquisa de preços e do monitoramento de mídias deixam claro que o maior desafio do e-commerce brasileiro é a credibilidade. O consumidor de 2026 atua como um auditor ativo de ofertas: ele monitora o histórico de valores, identifica maquiagens e combina cupom, cashback e parcelamento em uma única decisão. As marcas que não entregarem transparência e um pacote real de benefícios perderão espaço na temporada”, afirma Luara Canobre, diretora de operações da Timelens.

Redes sociais expõem desconfiança

A análise de preços foi combinada com um monitoramento de mídias sociais para entender como os consumidores percebem a Black Friday. A maquiagem de preços e os falsos descontos aparecem como principais motivos de críticas, concentrando 51% das conversas negativas. Na sequência estão a frustração entre expectativa e realidade, com 39,2% das menções críticas, e o receio de golpes ou propaganda enganosa, presente em 25,6% das conversas. Segundo a Timelens, esse último tema vem crescendo a uma média de 6,9% ao ano nos últimos cinco anos.

O levantamento também indica que a Black Friday vem se diluindo no calendário promocional. As menções a “Black November” cresceram 298,5% nas redes sociais, enquanto “Black Week” avançou 105,3%. Já as referências à própria “Black Friday” aumentaram 33,8%. Ao mesmo tempo, datas promocionais proprietárias dos marketplaces ganharam espaço. O engajamento em torno dessas iniciativas cresceu 19,2% nos últimos três anos, com destaque para o aumento de menções a Mercado Livre (11.444%), Amazon (50,4%) e Shopee (40,6%).

Consumidor passa a auditar ofertas

Diante desse cenário, a Timelens identifica uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, que passa a atuar como um “auditor de oportunidades”. Em vez de considerar apenas o desconto anunciado, o público busca combinar benefícios e verificar se a vantagem oferecida é, de fato, relevante.

A procura por cashback e programas de pontos cresce 8,3% ao ano, enquanto o interesse por cupons de desconto avança 4,4% ao ano. Já a busca por frete grátis recua 8,1% ao ano, movimento que, segundo a análise, está relacionado à transformação do benefício em uma condição básica de competitividade no comércio eletrônico.

A pesquisa também aponta queda de 3,2% ao ano nas buscas por descontos diretos no preço. Em paralelo, cresce a busca por curadoria de ofertas em comunidades fechadas e canais como WhatsApp e Telegram, indicando que parte dos consumidores passou a recorrer a redes de confiança para validar oportunidades antes de comprar.

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