Quatro em cada dez mulheres com 50 anos ou mais não se veem representadas na publicidade brasileira, segundo a terceira edição do estudo Tsunami Prateado, realizado pela Data8. O dado evidencia um descompasso entre a relevância econômica dessa parcela da população e sua presença na comunicação das marcas. Atualmente, o Brasil tem 62 milhões de pessoas com 50 anos ou mais, o equivalente a 28,5% da população. A projeção é que essa participação chegue a 40% em 2044.
O cenário será tema de quatro sessões do 8º Fórum & Festival Longevidade – Reimaginando Futuros, que acontece de 24 a 26 de setembro de 2026, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Com entrada gratuita, o evento é realizado pelo Movimento LABoo, plataforma de mobilização e inovação em torno da longevidade, e reúne mais de 200 horas de programação e mais de 300 debatedores. A expectativa é receber mais de 12 mil pessoas nos três dias.
Publicidade, consumo, cultura, mídia, moda e produção de conteúdo integram o eixo Cultura da programação, que propõe discutir representações etaristas e os caminhos para retratar de forma mais diversa a população madura. A agenda também aborda o comportamento digital e os hábitos de consumo das pessoas 50+, que estão presentes nas redes sociais, compram pela internet e já incorporam ferramentas de inteligência artificial ao cotidiano.
“Estamos transformando esta edição em um fórum focado em debates profundos e um festival abrangente que conecta e fomenta a transformação social, econômica e cultural que queremos e precisamos ver no mundo”, afirma Sérgio Serapião, fundador do Movimento LABoo, diretor-geral e curador-âncora do 8º Fórum e Festival Longevidade.
O peso das mulheres 50+ no consumo
Realizado pela Data8 desde 2018, o Tsunami Prateado acompanha valores, comportamentos, estilos de vida e hábitos de consumo da população com 50 anos ou mais. A terceira edição ouviu 3.298 pessoas nessa faixa etária, de diferentes classes sociais e regiões do país, em parceria técnica com o Opinion Box.
Entre as mulheres 50+, 41% afirmam não se ver representadas na publicidade. No segmento de beleza e cuidados pessoais, 33% dizem que quase nunca são impactadas por campanhas direcionadas à sua faixa etária. O levantamento também mostra uma população conectada. 84% das mulheres 50+ estão no Instagram, 94% utilizam o WhatsApp e 78% acessam o YouTube. O streaming de vídeo faz parte da rotina de 54% delas, enquanto 19% afirmam utilizar inteligência artificial ou assistentes virtuais — percentual superior ao registrado entre os homens 50+, de 15%.
O comportamento de compra também reforça o potencial desse público para as marcas. Entre as entrevistadas, 58% compram roupas e acessórios pela internet, 46% adquirem produtos de beleza e cosméticos online e 41% compram passagens e pacotes de turismo. Além disso, 35% são as únicas responsáveis pelo sustento da casa. Em levantamento anterior, a Data8 estimou que a população com 50 anos ou mais movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano, o equivalente a 23% do consumo no Brasil.
Quatro debates sobre longevidade, publicidade e consumo
A programação do 8º Fórum & Festival Longevidade reúne quatro sessões diretamente relacionadas a publicidade, comunicação, consumo, cultura e representatividade:
‘Quem conta as histórias de uma vida longa?‘, onde criadores de conteúdo maduros, plataformas de streaming e especialistas em mídia discutem a produção e o consumo de entretenimento e questionam quem ocupa o espaço de narrador das histórias sobre longevidade; ‘Laboratório de narrativas anti-idadistas‘, workshop voltado a profissionais de marketing e comunicação e propõe discutir a construção de narrativas e imagens que valorizem a diversidade e evitem representações estereotipadas da população madura; ‘Infinitas Longevidades: quem fica invisível quando falamos de envelhecimento‘, painel que aborda como gênero, território, educação e outros marcadores identitários influenciam as possibilidades de envelhecimento e longevidade e ‘Entre o Estereótipo e a Autenticidade: a representatividade etária na comunicação e publicidade‘, onde publicitários, líderes de marcas e especialistas em gerontologia discutem como a comunicação pode incorporar a diversidade da população mais velha e ampliar sua representatividade nas campanhas.


