Pela coragem e talento com que conduziu o cancelamento do debate dos presidenciáveis às vésperas da eleição.
Coragem porque a decisão de cancelar o debate frustrou o favorecimento ao candidato Lula orquestrado pela juíza Estela Aranha do TSE e pelo ministro Gilmar Mendes do STF.
O ministro do STF obrigou a TV Globo a incluir o candidato Renan Santos no debate sem qualquer amparo na Lei, já que a legislação eleitoral que trata de debates obriga a participação de candidatos de partidos com 5 ou mais integrantes no Congresso Nacional. O Missão tem como integrante no nosso Parlamento apenas o talentoso deputado federal Kim Kataguiri.
Simultaneamente, a juíza do TSE e, até então ilustre desconhecida, Estela Aranha, obrigou a TV Globo a retirar o púlpito vazio do candidato ausente e, pior, proibiu perguntas dos demais candidatos ao ausente Lula que, obviamente, ficariam sem respostas e exporiam sua falta ao debate.
A decisão do ministro Gilmar Mendes obrigando a participação do candidato Renan Santos foi tomada em processo em que Renan não é parte e nem o seu partido Missão. Foi tomada em pedido feito pelo partido Solidariedade presidido por Paulinho da Força.
Lula e Flávio Bolsonaro não quiseram enfrentar o incômodo que seriam as perguntas e provocações de Renan Santos. O que Gilmar Mendes fez em cima da hora foi forçar o embate entre Flávio e Renan. A justificativa petista para a ausência de Lula, que ele seria a vidraça das pedradas de Renan, foi tentada sem qualquer pudor contra o candidato Flavio Bolsonaro. Parece que não encarar Renan Santos seria justificável apenas para Lula.
Mas o pior do favorecimento escancarado ao candidato do PT veio mesmo na decisão da juíza Estela Aranha ao passar por cima do regulamento da TV Globo para o debate, que foi assinado há vários meses pelos representantes dos partidos de todos os candidatos.
O púlpito foi censurado e, não satisfeita, na mesma canetada a juíza Estela Aranha também censurou os demais candidatos ao proibi-los de direcionar perguntas ao candidato ausente.
Foi preciso à TV Globo muita coragem para cancelar o debate e com isso desarmar todo esse favorecimento produzido por decisões judiciais tomadas em cima da hora em favor do candidato do establishment.
Sangue frio da emissora também se viu no desenrolar da sua decisão. Vem aguentando a pressão com talento e profissionalismo sem entrar em provocações e, ao mesmo tempo, sendo firme em defender em seus editoriais o cancelamento do debate.
A TV Globo saiu ainda maior deste lamentável episódio. Nós, brasileiros, agradecidos e esperançosos de que a emissora cerrou trincheira contra os abusos de poder sejam do poder que for.



