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Geração Alpha influencia compras e cobra ações concretas das marcas, diz estudo

Pesquisa da HSR Specialist Researchers com 462 pessoas já mostra a influência da Geração Alpha no consumo
Imagem: divulgação

A Geração Alpha já participa das decisões de consumo das famílias e apresenta novas expectativas em relação às marcas. Segundo o estudo ‘Novos Códigos’, da HSR Specialist Researchers, 96% das crianças de 6 a 10 anos pedem algum produto quando a família vai às compras, enquanto 76% dos adolescentes de 11 a 15 anos afirmam influenciar decisões de compra da família. O levantamento ouviu 462 responsáveis, crianças e adolescentes das classes ABC, em abrangência nacional.

O estudo aponta que essa influência também muda de acordo com a idade. Entre os mais novos, a atuação aparece principalmente por meio de pedidos diretos. Entre os adolescentes, ganha espaço a pesquisa e a recomendação de produtos, com redes sociais e criadores de conteúdo assumindo maior relevância na descoberta de marcas.

A influência digital também se intensifica durante a adolescência. Entre crianças de 6 a 10 anos, 55% apontam YouTubers ou influenciadores como fonte de informação, enquanto 22% citam o TikTok e 12%, Instagram ou Reels. Entre adolescentes de 11 a 15 anos, os influenciadores seguem na liderança, com 54%, mas TikTok chega a 45% e Instagram ou Reels, a 36%. O estudo identifica, assim, uma migração da descoberta para ambientes de influência social e digital conforme a idade avança.

A tecnologia aparece como uma característica estrutural dessa geração. O estudo estima mais de 35 milhões de brasileiros nascidos entre 2010 e 2025, atualmente com 1 a 16 anos. A Alpha é descrita como a primeira geração integralmente nascida no século 21 e formada por nativos digitais, para quem telas fazem parte da rotina e a tecnologia funciona como ambiente, e não apenas como ferramenta.

Para a HSR, esse contexto produz códigos próprios de consumo. Na representação apresentada pelo estudo, a Geração Alpha se relaciona com quatro eixos: imersão, interatividade, inteligência artificial e instantaneidade. A lógica é resumida pela ideia de que essa geração não quer apenas assistir, mas entrar na história, agir sobre a marca, obter respostas rapidamente e interagir com experiências.

Esse comportamento também aparece na forma como as crianças atribuem valor às marcas. Entre os 6 e 10 anos, família, diversão, amigos, escola e bem-estar aparecem entre os temas mais importantes. No campo da diversão e criatividade, o levantamento identifica maior valor em marcas que permitem inventar histórias, interagir e criar.

Na adolescência, a diversão perde espaço relativo diante de estudos, profissão, saúde mental e bem-estar. O estudo aponta ainda que 61% dos adolescentes enxergam desafios como oportunidades de aprendizado e estão abertos a pedir apoio. O lazer, por sua vez, passa a combinar ambientes digitais e experiências presenciais, com amigos funcionando como parte importante do significado dessas atividades.

Marcas sob cobrança

A pesquisa também aponta uma dimensão de valores. Entre pessoas de 10 a 15 anos, 73% demonstram intenção de gerar algum impacto para melhorar o mundo, embora 47% queiram fazer algo e ainda não saibam como. Além disso, 88% afirmam se importar com diversidade e inclusão, enquanto 69% se consideram preocupados com o meio ambiente.

Nesse cenário, o estudo identifica uma diferença entre intenção e ação. Para as marcas, o desafio apontado é transformar preocupações sociais em iniciativas concretas e verificáveis, em vez de apenas comunicar uma causa. Entre as recomendações estão criar ações que facilitem a participação, mostrar resultados e aproximar influenciadores e conteúdos de atividades como desafios, testes, tutoriais e processos de criação.

A relação com a tecnologia também diferencia as gerações. O levantamento mais amplo apresentado no estudo considera seis grupos convivendo no mercado: Alpha, Z, Y, X, Baby Boomers e a geração Silenciosa. Com base em estimativa da ONU para uma população mundial de 8,2 bilhões em 2025, a Geração Alpha representa 25% e a Z, 24%.

O estudo ressalta que a análise geracional não deve servir para colocar consumidores em categorias rígidas, mas para compreender como contextos históricos, econômicos e sociais influenciam valores, comportamentos e formas de consumo. A partir desse contraste, a HSR apresenta diferentes critérios de escolha: enquanto a Alpha valoriza experiência, a Gen Z cobra identidade e propósito; a Gen Y busca utilidade, a Gen X prioriza praticidade e valor, e os Baby Boomers associam consumo a confiança e tradição.

Para as marcas, portanto, a mudança não está apenas na idade do público, mas nos códigos utilizados para conquistar sua atenção e confiança. No caso da Alpha, o estudo aponta uma expectativa por experiências participativas, personalização e interação, além de maior influência sobre o consumo familiar. O desafio passa a ser transformar essa participação em experiências de marca que façam sentido para uma geração que cresceu com a tecnologia como parte do ambiente cotidiano.

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