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Paramount conclui compra da Warner Bros. Discovery e forma a Skydance

Companhia combinada terá quase US$ 70 bi em receita anual e prevê mais de US$ 6 bilhões em sinergias operacionais
Imagem: Silas Lundquist no Unsplash

A Paramount concluiu nesta terça-feira (6) a aquisição da Warner Bros. Discovery. Com o fechamento da operação, a companhia combinada passa a se chamar Skydance e inicia a negociação de suas ações Classe B na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), sob o código ‘SKYD’. Os acionistas da Warner Bros. Discovery receberam cerca de US$ 31 por ação em dinheiro, e os papéis da empresa foram retirados da Nasdaq.

O conglomerado reúne sob uma mesma estrutura corporativa estúdios de cinema, serviços de streaming e redes de televisão aberta e por assinatura, como CBS e HBO. Também passam a integrar o grupo as divisões de jornalismo CBS News e CNN e as operações esportivas CBS Sports e TNT Sports.

A empresa planeja lançar ao menos 30 filmes por ano nos cinemas, mantendo uma janela exclusiva de exibição de 45 dias, além de produzir mais de 180 programas e séries de televisão. No streaming, as plataformas do grupo somam mais de 200 milhões de assinantes globais.

Logo apresentado à imprensa da Skydance | Imagem: divulgação

A Skydance nasce com receita anual estimada em quase US$ 70 bilhões e prevê investimentos superiores a US$ 30 bilhões em conteúdo, considerando os últimos 12 meses. A companhia pretende alcançar mais de US$ 6 bilhões em sinergias operacionais nos próximos três anos, principalmente nas áreas de tecnologia, integração e compras, marketing e racionalização imobiliária. A projeção é gerar US$ 10 bilhões em fluxo de caixa livre até 2030.

“Nosso objetivo era unir esses dois estúdios históricos e criar um concorrente mais forte, com talento, recursos e alcance”, afirma David Ellison, presidente e CEO da Skydance.

Relembre as negociações:

A disputa pela Warner Bros. Discovery ganhou força no fim de 2025. Em novembro, a Netflix passou a avaliar a compra da divisão de estúdios e streaming da companhia e, em 5 de dezembro, anunciou um acordo definitivo pelos estúdios de cinema e televisão, HBO e HBO Max. A operação previa US$ 27,75 por ação, totalizando US$ 72 bilhões e atribuindo aos ativos valor empresarial de aproximadamente US$ 82,7 bilhões, incluindo dívidas.

Três dias depois, a Paramount apresentou uma oferta concorrente de US$ 30 por ação, integralmente em dinheiro, para adquirir toda a Warner Bros. Discovery, incluindo a divisão Global Networks. A proposta avaliava a companhia em US$ 108,4 bilhões em valor empresarial. Naquele momento, a Paramount também projetava mais de US$ 6 bilhões em sinergias de custos com a combinação dos grupos.

A Warner inicialmente resistiu à investida. Em dezembro, o conselho rejeitou a oferta da Paramount e manteve sua preferência pelo acordo com a Netflix, citando preocupações com a estrutura de financiamento da proposta rival. Em janeiro de 2026, a Paramount levou a disputa à Justiça de Delaware para exigir a divulgação de informações financeiras sobre a transação com a Netflix e anunciou que pretendia atuar contra a aprovação do negócio pelos acionistas.

A Netflix reagiu modificando sua própria proposta. Em janeiro, confirmou que passaria a estruturar a aquisição integralmente em dinheiro, mantendo o preço de US$ 27,75 por ação. A disputa voltou a mudar de direção em fevereiro, quando a Paramount elevou sua oferta para US$ 31 por ação, avaliando a Warner Bros. Discovery em cerca de US$ 110 bilhões, incluindo dívida. O conselho da WBD considerou a nova proposta superior e, em 26 de fevereiro, a Netflix decidiu não aumentar sua oferta, encerrando a disputa pelo conglomerado.

Os acionistas da Warner Bros. Discovery aprovaram a fusão em abril. A operação passou então pelas análises concorrenciais em diferentes mercados. No Brasil, o Cade aprovou a aquisição sem restrições em julho. No mesmo mês, a Comissão Europeia autorizou o negócio e informou que, naquele momento, autoridades de 65 jurisdições já haviam aprovado a transação ou optado por não contestá-la. Em agosto, a fusão também recebeu o aval da autoridade antitruste do Reino Unido.

Nos Estados Unidos, porém, uma ação antitruste movida por 12 estados ainda impedia a conclusão. Em 30 de setembro, o Tribunal Distrital do Norte da Califórnia homologou um acordo entre as partes e retirou a barreira judicial. Entre os compromissos assumidos pela companhia combinada estão metas de lançamentos nos cinemas, aumento dos investimentos em produção nos Estados Unidos, manutenção da Pluto TV e a criação de um conselho independente para tratar da independência editorial de CBS News e CNN. Com a decisão, Paramount e WBD passaram a prever o fechamento da operação para 6 de outubro.

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