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Por que o GEO virou questão de sobrevivência para as marcas

Otavio Ereno

Fundador e diretor executivo da Human Data

Toda empresa já entendeu, em algum nível, que precisa aparecer bem no Google. Porém, poucas entenderam, até agora, que existe uma disputa equivalente acontecendo dentro de cada troca que um consumidor tem com uma inteligência artificial. Essa competição não é sobre clique, é sobre menção. E quem não trabalha para ser mencionado como referência simplesmente não entra na lista de opções que o consumidor considera.

Essa é a lógica por trás do GEO, o Generative Engine Optimization, e ela deveria estar no centro de qualquer agenda estratégica de marca hoje.

O consumidor não pediu autorização para mudar de comportamento, e o Brasil está entre os países que mais adotaram esse novo hábito de compra. O Agentic Commerce Consumer Study, estudo global da Visa, mostra que 76% dos brasileiros já pretendem usar agentes de inteligência artificial para realizar compras, um índice bem acima dos 44% registrados nos Estados Unidos. Diante disso, a pergunta que toda liderança de marketing deveria estar fazendo não é “quando isso vai acontecer com a nossa categoria?”, mas “o que a IA está respondendo sobre nós agora, enquanto ainda não olhamos para isso?” Ignorar essa questão não é ser neutro; é decidir, por omissão, deixar esse veredito nas mãos do concorrente que já se preparou.

O motivo pelo qual isso importa tanto é simples: presença em resposta de IA deixou de ser só sobre inspirar alguém a pesquisar, e passou a ser sobre estar entre as opções que um agente autônomo vai escolher comprar em nome do consumidor. O mesmo levantamento mostra que 67% dos brasileiros já se sentem muito ou extremamente confiantes em deixar um agente de IA realizar compras por eles, e 57% afirmam manter a sensação de controle sobre toda a experiência – o maior índice entre os mercados pesquisados.

Ou seja, cada vez mais, não será uma pessoa comparando preço e lendo descrição de produto; será o agente que ela autorizou a decidir por ela. Se a informação que esse agente recebe sobre uma marca for desatualizada, incompleta ou simplesmente inexistente, essa marca perde a venda sem sequer ter tido a chance de convencer alguém diretamente. Essa lacuna não é um problema de vendas comum, mas um sintoma de marcas que aparecem de forma fraca, genérica ou ausente no momento em que a IA precisa recomendar algo específico.

Firmar presença estratégica nesse ambiente exige tratar o GEO como se tratava o SEO em seus primeiros anos: não como experimento isolado de marketing, mas como investimento estrutural de médio prazo, com metodologia, monitoramento contínuo e ajuste constante. Isso significa entender exatamente como a marca está sendo descrita, comparada e recomendada por diferentes modelos de IA, corrigir informações erradas antes que se espalhem e construir autoridade de conteúdo que sirva de fonte confiável para essas respostas.

Quem trata isso como prioridade não está reagindo a uma moda passageira, mas ocupando um espaço que, em poucos anos, será tão disputado quanto o topo do Google é hoje, só que com uma diferença crucial: ali não existem dez posições no ranking; existe apenas a resposta que a IA escolhe dar.

O convite que deixo para quem lidera marca, produto ou crescimento é direto: pare de tratar a inteligência artificial como um canal de mídia e comece a tratá-la como um vendedor que já está na loja, conversando com o seu cliente antes de você. A pergunta não é mais se a marca vai precisar de uma estratégia de GEO. É se ela vai construir essa frente agora, enquanto ainda há margem para definir a narrativa, ou depois, quando só restará disputar a atenção de um consumidor que a IA já convenceu a comprar com outra pessoa.

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