Estreou recentemente em alguns cinemas americanos e na Bienal de Veneza, Musk, o filme. Escrito e dirigido por Alex Gibney, mesmo cineasta de Enron, e do documentário sobre a cientologia. Vencedor de Oscar. As ondas de choque da película de quatro horas de duração já chegam por aqui, antes do lançamento do filme, segundo palavras do diretor sobre a atuação de Musk e suas motivações. Na coletiva de imprensa do filme, A St. Clair, ex-mulher de Musk e mãe de alguns dos seus filhos, relata que recusou a oferta de 40 milhões de dólares para não participar do documentário. E se detém sobre o perfil psicológico e as motivações de seu ex. Tanto ela quanto o diretor usam o espaço para dar um “aviso”.
Ele cita na entrevista que quando Musk fez parte do Departamento de Estado americano e teve acesso aos dados mais sigilosos do governo, inclusive dados sigilosos de todos os cidadãos americanos, isso permite a ele fazer, a qualquer momento e quando quiser, uma Cambridge Analítica com esteroides. Talvez seja no próximo 4 de novembro, nas eleições americanas. Veremos. Mas vai ser difícil que esse filme não seja uma das maiores bilheterias do ano. A própria tentativa de proibição do trilionário já é um elemento viral.
Tecnologia sempre fez parte do meu círculo de interesse. Acompanho Musk desde o lançamento do primeiro Roadster com chassi da Lotus e seu business plan piramidal que funcionou perfeitamente com classe S, E, X e Y, que fizeram da Tesla a mais valorizada companhia automotiva. Acompanho a SpaceX desde o primeiro Falcon 9, que desceu de ré e tornou o espaço viável economicamente, e agora não perco todos os lançamentos dos protótipos da Starship. Realmente genial. Mas admito que desde o seu primeiro aceno nazista em público, na festa de vitória do Trump, a minha admiração por ele se alquebrou e, pelas fendas, começaram a passar mais críticas e noto uma atuação perigosa.
O jornalista afirma à equipe do filme sobre o avanço do Partido Nazista alemão e o agradecimento direto a Elon. Talarico, candidato democrata que lidera a disputa ao Senado pelo Texas agora em novembro, em discurso claro, avisa que o trilionário está investindo contra a sua candidatura e quer “comprar” o Texas elegendo outro candidato republicano. Eles devem saber exatamente sobre o que estão falando.
O jogo político está ficando pesado e se tornando o único jogo na mesa. E não há mais sutilezas. O que podemos perceber é a cegueira premonitória de Saramago em seu ensaio, acontecendo em tempo real. Ele descreveu, na sua distopia, a cegueira não pela falta de luz, mas pelo seu excesso. Os acossados amam os acossadores. Os escravizados idolatram seus escravizadores. Os humilhados incensam seus tiranos. E todo esse poder dado pelo uso das palavras e sua mágica.
Mas enquanto esperamos o filme estrear no Brasil, fica assim: a inovação do carro com retrofoguetes da Tesla, o Roadster, para quem já viu toda a tecnologia que existe pelo mundo é basicamente coisa de circo. Evel Knievel na década de 1950 pulando 40 carros ou um pedaço do Grand Canyon. A inovação mais incrível do que a Tesla é a tecnologia de carros elétricos estar beirando os 810 km com a nova BMW série 3, puramente elétrica, ou os híbridos chineses com autonomia de 1.200 km, acabamento de luxo e dez anos de garantia por menos da metade do preço de um carro como esse até nove meses atrás.
O ar da China, devido aos carros elétricos, está cada vez melhor. Belíssima inovação. Por outro lado, o Brasil aprendendo a multiplicar miniusinas individuais, com placas solares inundando o interior do país de energia. Essa energia vai ser importante com o aumento do PIB, que deve vir. O lixo das cidades gerando biogás e muita receita, com os ecoparques se espalhando pelo país. A coisa de ocupar Marte pode ser estratégia de Musk para a SpaceX. Mas sempre existe a estratégia por trás da estratégia e essa é gerar receita com a constelação de satélites.
Vai ser difícil alguém se comunicar ou dizer alguma palavra num futuro, que o equipamento de Musk não ouça. Que a sua IA não interprete e que a sua mobilidade não alcance. Quanto a tornar a humanidade interplanetária, uma verdade técnica: o espaço não foi feito para seres humanos. Talvez a consciência humana através da singularidade da IA conheça outros mundos. Mas o game é instalar satélites e monetizar como uma corrida para o Velho Oeste. E nisso existem três potências globais atualmente com predominância de décadas à frente dos demais países: Musk, EUA e Rússia. Nessa ordem.




