Quais propagandas despertaram o interesse dos criativos pela profissão?

Profissionais de agências como Cheil Brasil, Publicis Brasil, Bullet, Milà, Droga5 e W3Haus apontam as campanhas que marcaram as suas trajetórias
Imagem: divulgação

Publicitário ou não, é difícil viver sem guardar na memória alguma campanha publicitária. Com a popularização dos filmes veiculados na televisão, comerciais, personagens, bordões e jingles passaram a fazer parte do repertório popular e ajudaram a fixar marcas e mensagens no imaginário do público.

Para quem escolheu trabalhar com publicidade, algumas dessas campanhas representam mais do que uma lembrança. Em alguns casos, foram justamente elas que despertaram o interesse pela criação e pela profissão.

Diante disso, o propmark perguntou a profissionais de diferentes agências quais campanhas despertaram neles o desejo de trabalhar com publicidade.

Confira os depoimentos:

‘Mamíferos Parmalat’ (Parmalat/DM9DDB) — Bia Lopes Maria, diretora de criação da agência W3haus

“Eu cresci vendo propagandas, e tem jingles que até hoje me marcam muito! Os comerciais icônicos de Natal do O Boticário e da Coca-Cola faziam toda a família se reunir ao redor da TV para assistir. Mas teve uma em especial que marcou a minha infância e me fez olhar para a comunicação de outra forma: a clássica campanha dos ‘Mamíferos Parmalat’, criada pela DM9DDB.


Ela marcou a minha geração ao provar o poder da publicidade em criar um fenômeno de afeição coletiva. A marca deixou de apenas vender leite para se fazer presente dentro da rotina e do coração das famílias. Eu mesmo fiz um ensaio fotográfico fantasiada, tive meu mascote de pelúcia que me acompanhou durante anos e vivi de perto o impacto de uma comunicação que vai além do produto para construir memórias afetivas reais.


Hoje, a minha trajetória na publicidade e meu desejo de criar com propósito se conectam diretamente a essa vivência. O estudo e a compreensão de comunidades passaram a ser o centro do meu trabalho: entender que uma marca forte e com propósito não apenas emite mensagens ou fala só do produto, mas participa da vida das pessoas, ativa movimentos, gera diálogo e constrói cultura junto com a sociedade.”

‘Garoto Bombril’ (Bombril/DPZ) — Eto Bastos, diretor de criação da Cheil Brasil

“A campanha da Bombril, com o Carlos Moreno, foi uma das que mais me marcou. Ela me chamou atenção pela genialidade na simplicidade: poucos elementos, um personagem muito bem construído, humor e uma ideia que se renovava continuamente sem perder sua essência.


Eu comecei na propaganda quase por acaso. Sou formado em artes visuais e entrei em uma agência como montador de layout. Naquela época, meu universo era fazer arte, cortar, colar, montar protótipos e caixas — e eu adorava aquilo. Aos poucos, comecei a perceber que existia algo ainda mais interessante por trás de tudo aquilo: a criação. Passei a frequentar a criação no meu tempo livre, me aproximar dos criativos e tentar entender como uma ideia nascia e se transformava em comunicação.


A Bombril acabou sendo uma referência importante nesse processo porque mostrava que uma grande ideia não precisa de complexidade para ser poderosa. Acho que essa relação entre ideia, craft e execução continua muito presente na minha trajetória até hoje.”

‘Trouxe um Laka pra você’ (Lacta / W/Brasil) — Aline Noya, diretora-executiva de criação da Bullet

“Sempre fui a aficcionada pelo intervalo de qualquer programa. Mais (muito mais!) do que pelo seu conteúdo de fato. na hora que todo mundo levantava do sofá, era meu momento de curtir! 


A campanha da Lacta ‘Trouxe um Laka pra você’ foi a brasinha que incendiou minha cabeça com a ideia de fazer propaganda. Mesmo que eu nem fizesse ideia do que isso significasse realmente. Me chamou atenção pelo roteiro (que eu chamava de história) e pela trilha certeira (que eu chamava de música e que era a mesma que tocava nas festinhas que a gente ia com o sonho de beijar). Essa referência carinhosa tá certamente aqui comigo e fica escancarada na intenção de sempre apresentar qualquer projeto que seja embalado por uma boa história.”

‘Formigas’ (Philco / F/Nazca S&S) — Elias Carmo, diretor de criação da Publicis Brasil

“Antes mesmo de ser publicitário, sempre gostei de comerciais com DNA de entretenimento, principalmente os de humor. Achava fascinante conseguir contar uma boa história em 30 segundos e, de quebra, arrancar um sorriso.


‘Formigas’, da Philco, criado pela F/Nazca S&S produzido pela Vetor Zero, foi um desses filmes. Uma ideia simples e divertida, com uma execução incrível para a época: formiguinhas se divertindo e literalmente voando com a potência do som. Tudo amarrado por um conceito que ficou na cabeça: ‘Isso não é um som. É um tapa na orelha.’


Quando descobri que o filme tinha ganhado um Leão de Ouro (categoria do Festival Internacional de Criatividade do Cannes Lions), aquilo me deu um clique: uma boa ideia podia vender um produto, entreter e ainda ser reconhecida criativamente.


De certa forma, é isso que busco até hoje: transformar um briefing em uma história que as pessoas realmente queiram ver. Menos propaganda, mais entretenimento.”

‘Formigas’ (Philco / F/Nazca S&S) — Sleyman Khodor, CCO e sócio fundador da Milà
“Eu não fazia ideia de que ia fazer propaganda quando, nos anos 90, fui impactado por um comercial da Philco. O comercial das formiguinhas. Várias formiguinhas correndo em direção a um aparelho de som e se beneficiando de sua potência para voar longe. Um verdadeiro parque de diversões para os insetos. Fechava com o clássico conceito ‘Tem coisas (boom), que só a Philco faz pra você’.

Não é que depois desse comercial eu disse ‘vou fazer publicidade’. Mas ele foi um abre alas que, junto com vários outros grandes comerciais dos anos 90, me fizeram ter a certeza de que a criatividade vende. E daí foi um caminho sem volta. Tanto que hoje, 30 anos depois, é exatamente o que defendo todos os dias na Milà.”

‘Créu’ (Banco1.net/Propaganda Registrada) — Renata Leão, ECD da Droga5

“Quem me conhece sabe o quanto meu irmão, Rodrigo Leão, influenciou minha decisão de entrar na propaganda. Mas quando ele criou a campanha do Banco1.net, nos anos 2000, minha cabeça explodiu. 


Se banco é uma categoria difícil hoje, imagina 26 anos atrás. Ainda mais para vender algo impensável na época: um banco 100% virtual, sem agências físicas (muito antes do NuBank, C6, e por aí vai). A solução? Uma sitcom sobre uma galera, no dia a dia do trabalho (pensa que a série ‘The Office’ ainda não existia).


A campanha rendeu 7 filmes, onde cada personagem representava um tipo de cliente e, entre diálogos afiados, a campanha mostrava os diferenciais do banco. Enquanto quem assistia se divertia, entendia o produto de um jeito muito simples. Foi uma daquelas campanhas totalmente fora da curva que me fizeram pensar: ‘é isso que eu quero fazer da vida.’”

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