Nova gestão aposta em regionalização, formação em gestão e aproximação com as agências

Ana Celina assume a presidência da Fenapro no biênio 2026–2027 no dia 25 de fevereiro. Seu discurso é enfático com o centro da publicidade brasileira não apenas nas grandes agências globais, mas na base espalhada pelo país. “Quem alimenta a grande roda da publicidade brasileira é a infinidade de agências de médio porte que existem em todos os estados. Mas a mídia sempre olha para o topo da pirâmide, e não para a base”, afirma.

Vinda do mercado regional, ela comanda a Avance Comunicação, uma agência de médio porte em Fortaleza há mais de 20 anos. Ana diz que essa trajetória foi determinante para chegar à liderança da federação. “Muito do que me trouxe até a Fenapro foi a minha defesa histórica dos mercados regionais. Pelo volume de empregos, de arrecadação e pelo papel que essas agências têm nos estados”, diz.

A regionalização aparece também na composição da nova diretoria. “A gente tem vice do Sul, gente do Nordeste, do Centro-Oeste. Só não conseguimos ainda alguém do Norte. A ideia foi trazer essa diversidade regional para o centro das decisões”, explica. Outro critério foi o equilíbrio geracional. “Eu tentei fazer metade de diretores mais velhos e metade mais novos. Os mais experientes trazem o histórico das conquistas, e os mais novos trazem outros olhares e disposição para fazer.”

A governança da Fenapro passa a contar com Juliano Brenner Hennemann (RS), Alexandre Pedroni (ES), Daniel Queiroz (PE), Roberto Tourinho (SP), Adriany Bueno (MS) e João Daniel (RN).

Ana Celina, presidente da Fenapro no biênio 2026-2027 | Imagem: Micaela Menezes/Divulgação Fenapro

A nova gestão quer tornar mais visível o papel prático da Fenapro no dia a dia das agências. Hoje, o sistema reúne 19 Sinapros, cerca de 820 agências associadas aos sindicatos e outras 1.500 que contribuem para ter acesso a serviços como assessoria tributária, trabalhista e apoio jurídico. “Muitas vezes a agência nem sabe que pode ligar para o sindicato e ter um escritório de advocacia à disposição. É nossa obrigação ir para a rua e mostrar o que o sistema entrega”, afirma.

Entre as prioridades do mandato está a formação em gestão. Para Ana, a maioria dos donos de agência veio da criação ou do atendimento e nunca teve preparo administrativo. “O dono da agência está no operacional e não tem tempo para se formar. Por isso, a cada encontro nacional, queremos separar algumas horas para falar de gestão, dados, troca de experiência”, diz. A inteligência artificial entra como ferramenta de eficiência. “A IA não vai criar, mas vai agilizar processos, racionalizar esforços e impactar diretamente o resultado das agências.”

Já no início da gestão, a Fenapro prepara a divulgação de uma pesquisa nacional de salários, prevista para o fim de fevereiro, como instrumento de referência para negociações em todo o país. A pesquisa VanPro deve ficar para o fim do primeiro semestre, diante do impacto da reforma tributária sobre o setor. “O susto inicial já passou, mas agora é hora de estudar fornecedor, precificação e negociação com clientes. Para pequenas e médias agências, esse ainda é um desafio grande”, conclui.