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Crescimento das pessoas

Imagem: Camilla Maia

Ariadne Mazzetti

Produtora executiva, diretora e fundadora da Mistika

Quando me perguntam o que ainda me inspira depois de tantos anos no audiovisual, percebo que a resposta mudou ao longo do tempo. No começo da carreira, eu era movida pela vontade de aprender, de descobrir como as histórias ganhavam forma e de encontrar o meu lugar em um mercado que sempre admirei. Hoje, continuo apaixonada por esse universo, mas o que me mobiliza é acompanhar o crescimento das pessoas e perceber como cada geração amplia as possibilidades da anterior.

Viajar pelo Brasil teve um papel importante nessa mudança de olhar. Passei grande parte da minha vida profissional circulando por festivais, conhecendo produtoras, conversando com realizadores e acompanhando projetos em diferentes regiões do país. Essa experiência me mostrou um Brasil criativo, diverso e extremamente potente, muitas vezes distante dos grandes centros de decisão. Aprendi que talento não se concentra em um único lugar. O que costuma ser desigual são as oportunidades.

Talvez por isso eu nunca tenha enxergado festivais apenas como vitrines para novos filmes. Sempre os vi como espaços onde carreiras começam, parcerias se formam e mercados se fortalecem. Gosto de conversar com quem está realizando o primeiro curta-metragem com o mesmo interesse com que converso com produtores experientes. Em ambos os casos existe alguém tentando resolver problemas, aperfeiçoar ideias e encontrar o melhor caminho para contar uma história. É dessa troca que surgem alguns dos aprendizados mais valiosos.

O tempo também mudou a minha compreensão sobre liderança. Durante muito tempo, eu acreditava que liderar significava tomar decisões, resolver problemas e garantir que tudo acontecesse da melhor forma possível. Hoje penso diferente. Liderança também é criar condições para que outras pessoas ocupem espaços, desenvolvam confiança e construam suas próprias trajetórias. Empresas amadurecem quando deixam de depender exclusivamente de quem as fundou e passam a reconhecer que conhecimento, responsabilidade e protagonismo podem ser compartilhados.

Essa mesma lógica vale para qualquer mercado. Nenhum setor evolui quando o conhecimento permanece concentrado nas mesmas pessoas ou quando as oportunidades circulam sempre entre os mesmos grupos. Compartilhar experiência nunca significou abrir mão de espaço. Significa ampliar a capacidade de uma indústria inteira produzir melhor, inovar mais e formar profissionais preparados para os desafios que ainda virão.

Sempre acreditei que a forma como tratamos as pessoas diz muito sobre aquilo que somos capazes de construir juntos. Passamos uma parte importante da vida trabalhando. Por isso, respeito, escuta e confiança nunca me pareceram benefícios ou diferenciais. São condições básicas para que qualquer equipe consiga criar, discordar, experimentar e evoluir. Relações consistentes não surgem de discursos inspiradores nem de organogramas bem desenhados. Elas aparecem na maneira como conduzimos uma conversa difícil, reconhecemos o trabalho de alguém ou abrimos espaço para que uma ideia seja ouvida.

Hoje, quando olho para a minha trajetória, percebo que os projetos representam apenas uma parte dela. O que permanece são as pessoas, as conexões construídas ao longo do caminho e a certeza de que uma indústria se fortalece quando conhecimento, oportunidades e confiança circulam. O audiovisual continuará sendo um espaço de criatividade e inovação, mas são as pessoas que dão sentido a tudo isso. Talvez seja por isso que eu continue acreditando que o sucesso só faz sentido quando é compartilhado.

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