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IA: Inteligência Artificial ou Identidade Ampliada

João Felipe Villanova

CEO da Macunaíma.ag

Eu acho engraçado como, para nos referirmos ao mundo real, hoje em dia precisamos explicitamente dizer que estamos falando do mundo “físico”. Isso porque o virtual está tão intrinsecamente ligado ao que fazemos e a quem somos que é difícil compreender que o que vemos na tela do celular, do computador, é real, enquanto, na prática, será que é mesmo? Calma, eu explico.

É claro que um comentário negativo na sua rede social pode te causar desconforto e tristeza — não é como se nós fossemos imunes ao que acontece online —, mas é importante tentar entender que, o que foi dito ali, não é, de fato, quem você realmente é fora daquela tela. 

Lembro-me de quando a gente conseguia “sair” da internet — quando era só desligar o computador e tudo aquilo desaparecia por algumas horas. Algo que, sem dúvidas, parece que não é mais possível (será?). Veja, não estou dizendo que sou contra a tecnologia, muito pelo contrário — acredito que muitos dos avanços que tivemos enquanto sociedade nos últimos anos se devem à tecnologia. Meu ponto é sobre como precisamos dar alguns passos para trás e voltar a separar o mundo virtual do mundo real. 

Mas, convenhamos, isso ficou ainda mais difícil quando uma sigla chegou para alterar tudo o que a gente sabia sobre um possível distanciamento entre virtual e real: IA. Duas letras tão simples que alteraram comportamentos profundamente.

Parece que o zeitgeist hoje é a inteligência artificial e a tendência é tentar usá-la para tudo. Mas, talvez, o antídoto para essa mediocridade seja a experiência ao vivo. O real real. Saber diferenciar quando ou não usar IA é o que pode ser decisivo para uma pessoa ou marca. 

Ouso dizer que ainda não chegamos ao “boom” da IA, mas acredito piamente que esse é o momento de olharmos para trás e voltarmos a valorizar o físico, o palpável. 

Tem uma frase que usamos com frequência em nossas apresentações da Macunaíma.ag para clientes que diz assim: “Ideias feitas por humanos, imagens geradas por IA”. Nossa ideia aqui é enfatizar que a IA só é o que é por conta do pensamento humano por trás daquela criação. A IA não existe sozinha. 

E, se ela não existe por conta própria, a pergunta mais importante a ser feita aqui é: de onde vêm as ideias nesse novo mundo? 

Pra mim, a resposta — que pra você pode ser um pouco piegas, e já peço desculpas por isso — é que as ideias vêm de todo lugar. Onde há vida, há referências, e, para captá-las, basta enxergar além da tela do computador (sim, é possível). 

Vá ao cinema, visite exposições, consuma teatro, leia livros, converse. As ideias estão no mundo, que é exatamente onde também devemos estar. São as experiências ao vivo que vão trazer a vida, o sentimento e, com ele, o pertencimento e a identidade de volta para nós.

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