Eu acho engraçado como, para nos referirmos ao mundo real, hoje em dia precisamos explicitamente dizer que estamos falando do mundo “físico”. Isso porque o virtual está tão intrinsecamente ligado ao que fazemos e a quem somos que é difícil compreender que o que vemos na tela do celular, do computador, é real, enquanto, na prática, será que é mesmo? Calma, eu explico.
É claro que um comentário negativo na sua rede social pode te causar desconforto e tristeza — não é como se nós fossemos imunes ao que acontece online —, mas é importante tentar entender que, o que foi dito ali, não é, de fato, quem você realmente é fora daquela tela.
Lembro-me de quando a gente conseguia “sair” da internet — quando era só desligar o computador e tudo aquilo desaparecia por algumas horas. Algo que, sem dúvidas, parece que não é mais possível (será?). Veja, não estou dizendo que sou contra a tecnologia, muito pelo contrário — acredito que muitos dos avanços que tivemos enquanto sociedade nos últimos anos se devem à tecnologia. Meu ponto é sobre como precisamos dar alguns passos para trás e voltar a separar o mundo virtual do mundo real.
Mas, convenhamos, isso ficou ainda mais difícil quando uma sigla chegou para alterar tudo o que a gente sabia sobre um possível distanciamento entre virtual e real: IA. Duas letras tão simples que alteraram comportamentos profundamente.
Parece que o zeitgeist hoje é a inteligência artificial e a tendência é tentar usá-la para tudo. Mas, talvez, o antídoto para essa mediocridade seja a experiência ao vivo. O real real. Saber diferenciar quando ou não usar IA é o que pode ser decisivo para uma pessoa ou marca.
Ouso dizer que ainda não chegamos ao “boom” da IA, mas acredito piamente que esse é o momento de olharmos para trás e voltarmos a valorizar o físico, o palpável.
Tem uma frase que usamos com frequência em nossas apresentações da Macunaíma.ag para clientes que diz assim: “Ideias feitas por humanos, imagens geradas por IA”. Nossa ideia aqui é enfatizar que a IA só é o que é por conta do pensamento humano por trás daquela criação. A IA não existe sozinha.
E, se ela não existe por conta própria, a pergunta mais importante a ser feita aqui é: de onde vêm as ideias nesse novo mundo?
Pra mim, a resposta — que pra você pode ser um pouco piegas, e já peço desculpas por isso — é que as ideias vêm de todo lugar. Onde há vida, há referências, e, para captá-las, basta enxergar além da tela do computador (sim, é possível).
Vá ao cinema, visite exposições, consuma teatro, leia livros, converse. As ideias estão no mundo, que é exatamente onde também devemos estar. São as experiências ao vivo que vão trazer a vida, o sentimento e, com ele, o pertencimento e a identidade de volta para nós.




