Na semana passada, participei ativamente de duas atividades com protagonismo ESG. A primeira delas foi o 3º Encontro Educacional BenchMICE, realizado no Club Med Lake Paradise, em Mogi das Cruzes – SP. O encontro foi uma iniciativa do coletivo BenchMICE, coordenado pela Evento Único, reunindo gestores de eventos de grandes empresas.
O tema central foi ESG e coube a mim fazer a palestra de abertura. Na sequência, houve painéis e até um hackaton para tratar ESG com mais assertividade. “ESG: como sair da teoria e partir para a prática?” foi o tema do evento.
E é essa abordagem mais pragmática e assertiva que predomina na aplicação dos critérios ESG, não só nos eventos, mas nas empresas, de um modo geral. Como tenho dito aqui, em artigos anteriores, ESG não está mais no seu momento hype: está mais consistente, permeando naturalmente o planejamento estratégico de empresas e de eventos. Empresas mais conscientes integraram ESG às suas práticas, pressionando seus fornecedores a se engajarem.
Embora alguns ainda resistam, vendo ESG como um diversionismo indesejado na sua administração, outros já perceberam que adotar práticas de respeito socioambiental e transparência faz bem aos negócios. A segunda atividade foi o Prêmio ABEMD 2026, que realizou sua entrega de prêmios em belo evento, que reuniu o melhor do marketing baseado em dados. Nessa atividade, participei como coordenador e jurado nas categorias ESG e Acessibilidade e também, por meio da minha Criativista, assessorando a organização para que o evento de premiação, em si, levasse em conta os princípios ESG.
Essas iniciativas demonstram que ESG, felizmente, continua firme na pauta de empresas e organizadores de eventos. E não se trata de coincidência. O que vemos nesses dois eventos reflete um movimento mais amplo: o ESG deixou de ser tema de campanha e virou critério de gestão.
A regulação ajuda a explicar isso. No Brasil, a adoção das normas internacionais de divulgação de sustentabilidade, alinhadas a padrões internacionais (principalmente europeus), coloca o reporte socioambiental na mesma rotina do relatório financeiro. Quando um assunto passa a ser exigido por reguladores, investidores e grandes compradores, ele deixa de depender de modismo para existir. Há ainda uma razão bem pragmática: risco.
Eventos climáticos extremos, escassez de recursos, passivos trabalhistas e crises de governança têm impacto direto no caixa e na continuidade dos negócios. Empresas que olham para esses fatores com antecedência protegem sua operação, ganham previsibilidade e acessam capital em melhores condições, já que bancos, seguradoras e investidores incorporam esses critérios em suas análises. O mesmo vale para a reputação: consumidores, colaboradores e talentos observam a coerência entre discurso e prática, e o greenwashing costuma cobrar um preço alto de quem tenta atalhos.
Por isso, a menor visibilidade da sigla não deve ser confundida com esvaziamento. Acontece com qualidade e compliance: quando o tema amadurece, parte para discussões mais assertivas e se torna parte do jeito de trabalhar.
O barulho diminui, mas o trabalho se aprofunda. No setor de eventos, isso significa fornecedores mais preparados, métricas mais claras e entregas que comprovam resultados, e não apenas intenções.
Aos gestores que ainda enxergam ESG como custo ou modismo, deixo um convite: olhem para ele como estratégia de sobrevivência e de competitividade.
As empresas mais conscientes já entenderam que não se trata de agradar ao mercado, mas de fortalecer a si próprias. ESG segue firme no radar, e quem o mantiver no centro do planejamento estará mais bem posicionado para o futuro.




