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Prefiro te falar pessoalmente

Stalimir Vieira

Diretor da Base de Marketing

Tenho sido perguntado se aceito fazer a palestra ‘Cabeças a prêmio – Um mergulho no processo criativo pré-IA’, remotamente. Eles me dizem que seria possível formar uma grande audiência, evitando deslocamentos cansativos e tornando o evento mais econômico.

A resposta tem sido não. E a razão é simples: precisamos resgatar a energia da presença. Há mais de quatro décadas faço palestras pelo Brasil e fora dele. Já estive em cerca de 120 cidades e em cada uma, cada palestra teve a sua história particular. Entendo palestra como teatro.

Não consigo me imaginar assistindo a uma peça teatral numa live. Palestra é encontro, é compartilhamento do mesmo ambiente, do mesmo clima, da mesma luz. É convivência, é uma troca viva de sensações e sentimentos.

Não enxergo isso reproduzido na frieza de uma tela, mesmo que salpicada por centenas de quadradinhos com carinhas.

É em respeito àqueles que se predispõem a
me assistir, que eu digo “prefiro te falar pessoalmente”. Essa é a qualidade de relação que estabeleço com as pessoas a quem me dirijo: uma relação pessoal.

E numa relação pessoal, o humano é uma coisa e o tecnológico é outra. O humano se utiliza do tecnológico, mas permanece fora dele, numa condição ideal para o ser humano.

Encaixotado num retângulo digital, fico desconfortável. Gosto de me movimentar quando falo, gosto de encarar cada rosto, observar as expressões, os gestos, os sorrisos, os bocejos…

Porque eu me expresso com a voz e com o corpo inteiro e o público também. Não quero perder nada dessa experiência.
Uma palestra presencial exaure e preenche, simultaneamente. Há uma troca profunda de percepções, entendimentos e interpretações. É um estado de criação viva, pulsante.

A individualidade, presente em cada evento, é, portanto, a essência do seu valor. Já me propuseram organizar cursos de criação para serem gravados e disponibilizados no YouTube, por exemplo.

A ideia nunca me animou, embora eu tenha ministrado workshops em todo o país, por anos.

Nunca me preocupei em “escalar” esses “produtos”; me incomoda “industrializar” tema tão carregado de variáveis subjetivas como o processo criativo.

Sim, escrevi um livro – “Raciocínio criativo na publicidade” – há quase 30 anos e que ainda é adotado.

Este ano lancei a coleção de artigos ‘Provocações’. Estou escrevendo outro, para lançar, quem sabe, no ano que vem.

Essa economia na oferta é sinal de esmero. Não faço por fazer, não tenho pressa, não tenho metas de vendas a atingir. Se são cem ou mil os interessados, para mim, serão sempre cada um.

Esse cada um que, frequentemente, me procura e me encontra, para contar o que significou o livro, o workshop ou a palestra, em sua história profissional e pessoal. É o que importa.

A inteligência artificial tem dado uma contribuição extraordinária nas minhas pesquisas. Tem trazido dados e registros que me ajudam muito a sustentar alguns conteúdos intuídos.

Ou seja, me ajuda a trabalhar as (minhas) ideias, e a colocá-las de maneira organizada. Tenho ganhado tempo com isso.

Não necessariamente para fazer mais. Mas para buscar fazer melhor.

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