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Serenidade

Alexis Thuller Pagliarini

Sócio-fundador da Criativista

Às vésperas de mais uma manifestação da democracia brasileira, o que mais cabe ao gestor de negócios agora são serenidade e pragmatismo. Independentemente do resultado das urnas, o empresário brasileiro vai tocar seu negócio, encontrando formas de manter suas empresas rentáveis e resilientes.

Foi assim ao longo da nossa história. Sobrevivemos a quatro planos econômicos radicais. Um deles, o Plano Collor, bloqueou cerca de 80% do dinheiro depositado em contas correntes, poupanças e aplicações, deixando empresários com 50 mil cruzados novos (moeda da época) para tocar os seus negócios. Como pagar fornecedores, salários e impostos com tão pouco? Ninguém tinha a resposta pronta, mas todos tinham a obrigação de encontrá-la. E encontraram. Renegociaram prazos, trocaram mercadorias, reinventaram processos e preservaram empregos.

Sobrevivemos! Não à toa, o gestor brasileiro é considerado um dos mais criativos e resilientes do mundo. Essa capacidade não nasceu do acaso. Foi forjada na instabilidade: inflação galopante, mudanças de moeda, juros nas alturas, crises internacionais, uma pandemia.

Cada tempestade nos ensinou a olhar para dentro da empresa, cortar o supérfluo, valorizar o essencial e, sobretudo, confiar nas pessoas que constroem o negócio ao nosso lado. Aprendemos que planejamento não é adivinhar o futuro, é estar preparado para vários deles. Por isso, neste momento, o melhor conselho é o mais simples: manter os pés no chão.

Planejar com precaução, mas com ousadia; conversar com clientes e fornecedores; cuidar do time; manter o foco no que está sob nosso controle. O mercado pode oscilar nos dias que antecedem e sucedem uma eleição, mas negócios sólidos se constroem com visão de longo prazo, e não com manchetes. Há ainda uma dimensão que não cabe em planilhas. O Brasil é um país de enormes contrastes e ainda carente de cuidados especiais para assegurar uma vida digna a todos os habitantes.

O empresário conhece essa realidade de perto, porque ela bate à porta de seus colaboradores, de seus clientes e de suas comunidades. Uma empresa saudável é aquela que gera renda, forma gente e movimenta a economia local.

Quando um negócio vai bem, o benefício vai além dos sócios: chega à família do funcionário, ao pequeno comércio do bairro, ao jovem que consegue o primeiro emprego. Nosso sucesso e o desenvolvimento social devem caminhar juntos.

Por isso, desejamos que o próximo governante, seja quem for, tenha o compromisso de olhar para quem mais precisa e continue cuidando dos mais necessitados, além de criar um ambiente em que quem empreende possa investir, contratar e crescer. Esses objetivos não se opõem. Um país mais justo é também um país com mais consumidores, mais talentos e mais oportunidades para todos.

A democracia exige de cada um de nós responsabilidade. Informar-se bem, dialogar com respeito, ouvir quem pensa diferente e votar com consciência são atitudes que fortalecem o país, e também o ambiente de negócios. Devemos todos voltar às urnas e exercer nosso direito democrático de voto. Divergências fazem parte do processo; o que não podemos permitir é que o ruído supere o bom senso. Devemos ter um olhar crítico para propostas mirabolantes e oportunistas e decidir.

Já atravessamos cenários muito mais severos do que a incerteza de uma eleição. Temos história, experiência e uma capacidade rara de transformar dificuldade em oportunidade. Com serenidade, saberemos escolher o melhor para o nosso país e para as nossas empresas.

E, como sempre, seguiremos trabalhando, porque é isso que o Brasil faz de melhor.

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