Alguns dados parecem tão familiares que dá vontade de concordar e passar para o próximo slide.
O Media Reactions 2026, da Kantar, traz um deles: segundo sua base LIFT+, 43% do impacto das campanhas vem da atuação conjunta dos canais. Antes de 2014, eram 18%.
Integração importa. Até aqui, todo mundo concorda.
Mas vale ficar mais um pouco nesse slide.
Se a combinação dos canais ganha peso no resultado, a capacidade de conectar decisões precisa ganhar peso no modelo de negócio.
E essa conversa envolve todo mundo: marketing, agências, produtoras, veículos e parceiros de tecnologia.
O mercado avançou muito ao reunir talentos, ferramentas e especialidades. A próxima oportunidade está em dar a essas competências condições para influenciar o trabalho umas das outras.
Um comportamento identificado por mídia pode mudar a ideia. Uma produtora pode encontrar uma linguagem que amplia suas possibilidades. Um parceiro de tecnologia pode tornar viável uma experiência que nem estava no briefing.
A ideia continua sendo protagonista. Só ganhou mais gente para fazê-la acontecer.
Quando essas conversas começam cedo, a solução pode chegar a um lugar que nenhum participante imaginaria sozinho.
Mas essa possibilidade precisa encontrar espaço na rotina. No momento em que cada parceiro entra. Na liberdade para rever uma decisão. Na maneira como o trabalho é contratado e avaliado.
Como reconhecer o valor de quem melhora o resultado de uma entrega que não é sua?
Essa pergunta leva a integração para dentro do negócio.
Se cada participante é avaliado apenas pela própria entrega, a contribuição para o conjunto pode passar despercebida. Reconhecê-la abre espaço para novos serviços, parcerias e formas de remuneração.
Também exige liberdade para montar combinações diferentes. Há desafios que pedem mais especialidades. Outros ganham com menos etapas. Alguns precisam de um talento que ainda está fora da conversa.
Ter muitas possibilidades à disposição torna a escolha ainda mais importante.
Os 43% não trazem uma fórmula pronta. Mas convidam a olhar de novo para a maneira como o mercado trabalha. Já sabemos reunir competências. Há espaço para avançar na liberdade que elas têm para decidir juntas , e no reconhecimento do valor que criam.
Concordar com o dado é fácil. A oportunidade está em perceber o que ele convida a reinventar.




