Antes restritos a plataformas especializadas e empresas de tecnologia, os fast channels (Free Ad-Supported Streaming TV) entraram definitivamente no radar dos grupos de mídia do Brasil, que passaram a desenvolver estratégias para esse modelo. Isso sinaliza uma mudança importante no mercado audiovisual: a televisão gratuita via streaming, financiada por publicidade, deixa de ocupar um nicho para se tornar parte dos planos de expansão das principais produtoras e distribuidoras de conteúdo do país. O movimento acompanha a transformação dos hábitos de consumo e reforça a percepção de que o futuro da televisão passa por modelos híbridos de distribuição e monetização, desse modo, a tendência é que a entrada desses players acelere a profissionalização do segmento, amplie a oferta de canais e intensifique a disputa pela audiência e pelos investimentos em publicidade.
Um destes exemplos é o Grupo Bandeirantes, que possui a programação da BandNews FM no LG Channels, disponível em 17 milhões de aparelhos, e no TCL Channel, serviço presente em 11 milhões de televisores da fabricante. A partir de agosto, a rádio também poderá ser acessada no canal de streaming da Samsung, oferecido a 23 milhões de TVs conectadas. Amanda Andrade, diretora-geral das Rádios do Grupo Bandeirantes de Comunicação, conta que a escolha de entrar no segmento fez parte de uma evolução natural da estratégia de distribuição de conteúdo do grupo, sem perder a essência da marca.
“Hoje, não pensamos mais em distribuição por plataforma, mas por audiência. O consumidor escolhe onde quer consumir conteúdo, e nosso papel é estar presente em todos esses ambientes. O fast amplia essa estratégia ao transformar a smart TV em mais um ponto de contato relevante para a BandNews FM. Rádio, TV, YouTube, streaming, aplicativos, site e agora fast fazem parte de um mesmo ecossistema de distribuição. Isso representa uma mudança importante para empresas tradicionais: o conteúdo deixa de estar vinculado a um único meio e passa a circular de forma integrada entre diferentes plataformas, potencializando alcance, frequência e relevância”, opina.
Para a executiva, o desafio estava em pensar o rádio como linguagem audiovisual, além da necessidade de desenvolver uma operação que integrasse a distribuição digital, a integração tecnológica, a entrega de publicidade dinâmica, a mensuração de audiência e o relacionamento com fabricantes de smart TVs e plataformas globais.
“O ambiente fast é altamente orientado por tecnologia e dados. Isso exige profissionais preparados para trabalhar com distribuição digital, métricas de consumo, publicidade com vendas diretas e programática, segmentação de audiência e otimização contínua da operação. A convergência entre mídia, tecnologia e inteligência de dados deixa de ser diferencial e passa a ser competência essencial para empresas de comunicação.”
Amanda acredita que, apesar da evolução do mercado e do reconhecimento do potencial do fast, seja ele o ambiente premium ou o conteúdo gratuito, ainda existe um processo de educação por parte do anunciante, que precisa acontecer. “Nosso papel é mostrar que não se trata apenas de uma nova tela, mas de uma nova forma de consumir televisão, com métricas digitais, alta qualidade editorial e enorme potencial de crescimento. À medida que os cases de resultado aumentam, essa curva de adoção tende a acelerar”, explica.
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 27 de julho.


