A chegada do ChatGPT Ads ao Brasil marca o início de um novo modelo de publicidade. A expressão de Gabriel Gerhardt, sócio e especialista em marketing digital da AlwaysON, mostra como a inteligência artificial vai se consolidando na indústria de marketing global. Apesar da patrulha à IA no último Cannes Lions e do fato de que os humanos vão ser sempre preponderantes, mesmo porque máquinas não são consumidoras, não dá para ignorar a tecnologia nos modais de otimização.
O ChatGPT Ads é um marco nessa questão da IA. Lançado no início deste ano nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, o ecossistema de anúncios self-service da OpenAI confirmou o início da fase piloto da publicidade no Brasil e em outros mercados no último mês de maio.
“O grande diferencial é que os anúncios deixam de interromper o usuário e passam a aparecer dentro de um contexto de alta intenção, quando a pessoa já está pesquisando, comparando ou buscando uma solução. Na prática, é uma proposta que aproxima publicidade e conversa, com anúncios claramente identificados e inseridos de forma contextual. Ainda é cedo para medir como anunciantes e consumidores vão se comportar, mas existe um potencial interessante para marcas que dependem de uma jornada de decisão mais consultiva. Caso esse modelo se consolide, podemos estar diante de uma nova frente de mídia digital, em que a relevância da mensagem será ainda mais importante do que o alcance”, garante Gerhardt.
“A proposta, porém, segue uma lógica diferente dos formatos tradicionais. Em vez de interromper a navegação do usuário com anúncios exibidos entre conteúdos, a publicidade em IA busca aproveitar o contexto da conversa para apresentar mensagens mais alinhadas ao interesse demonstrado naquele momento. O objetivo é conectar marcas e consumidores em uma etapa cada vez mais importante da jornada de compra: o momento da avaliação, comparação e tomada de decisão”, destaca Gerhardt, que observa o movimento como uma transformação no comportamento do consumidor.
“Estamos vendo uma mudança na forma como as pessoas descobrem produtos, serviços e marcas. A conversa passa a fazer parte da jornada de decisão, criando novas oportunidades para anunciantes se posicionarem de maneira mais relevante e alinhada aos interesses do público. Enquanto os mecanismos de busca capturam uma intenção já declarada e as redes sociais trabalham a descoberta por meio do conteúdo, a inteligência artificial participa do processo de avaliação e comparação. O usuário faz perguntas, busca recomendações e analisa alternativas em tempo real. Isso abre espaço para uma comunicação mais contextual e potencialmente mais relevante”, contextualiza o executivo da AlwaysON.
“As marcas precisarão investir cada vez mais em credibilidade, conteúdo de qualidade e construção de autoridade digital. A tendência é que relevância e contexto tenham um peso crescente na forma como consumidores descobrem informações e tomam decisões. A publicidade em IA não substitui os canais de mídia existentes, mas amplia as possibilidades de todo o ecossistema digital”, alerta Gerhardt.
VELOCIDADE
Como em uma corrida sprint, o consumidor exige respostas rápidas. Segundo a Gartner – dado apurado por Alberto Filho, CEO da Poli Digital -, até 2029, 80% das demandas mais comuns de atendimento ao cliente devem ser resolvidas sem intervenção humana.
“A velocidade virou pré-requisito, e os agentes inteligentes passam a atuar como operadores reais do negócio, com capacidade de interpretar contexto, priorizar demandas e executar ações com impacto direto na receita e na experiência do cliente”, destaca Alberto Filho. “O ponto de virada é que a IA deixa de ser assistente e passa a ser operadora. Ela não só conversa, ela resolve, e isso muda completamente a eficiência das empresas”, acrescenta.
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 13 de julho.


