Bots que simulam creators e interações têm chamado a atenção do mercado para o perigo que esses fingimentos podem causar às marcas, sobretudo à credibilidade dos consumidores quando se sentem enganados. Por esse motivo, o HypeAuditor lançou o relatório ‘Panorama de fraude no marketing de influência no Brasil em 2026’ que aponta que um em cada 21 influenciadores brasileiros tem pelo menos 50% de sua audiência classificada como suspeita. O elevado volume, como esclarece Maria Marques, gerente de marketing para a América Latina da empresa, pode mudar o nível de risco da audiência.
VOLUME
Embora exista uma grande variedade de perfis, a avaliação de influenciadores deve ir além do número de seguidores, considerando também a qualidade da audiência, a autenticidade do engajamento e o histórico de crescimento do perfil. Para uma análise mais consistente, marcas e agências devem comparar os creators avaliados com outros perfis da mesma categoria e faixa de seguidores, investigar variações bruscas na audiência e examinar separadamente a qualidade dos seguidores e do engajamento. Esses indicadores devem servir como ferramentas de triagem e investigação antes da contratação. A análise conjunta desses fatores permite identificar sinais de alerta e situações que merecem uma apuração mais aprofundada, como a presença de audiência suspeita.
RECORRÊNCIA
Historicamente, uma das práticas mais recorrentes no marketing de influência é a compra de seguidores falsos. Em um levantamento que fizemos em 2025, identificamos presença de seguidores falsos em cerca de 44% dos influenciadores brasileiros analisados. Isso chama a atenção porque comprar seguidores é uma prática relativamente fácil de detectar hoje. Instagram e outras plataformas estão cada vez melhores em identificar contas falsas e spam, e o próprio mercado já sabe que olhar apenas para o número de seguidores não é suficiente. Existem metodologias para analisar a qualidade da audiência, comparar seguidores e engajamento e identificar crescimentos fora do padrão.
MOVIMENTOS
Ainda existe muita procura por esse tipo de serviço. Basta observar o volume de buscas por termos relacionados a “comprar seguidores”, “onde comprar seguidores” ou “quanto custa comprar seguidores” para perceber que a prática ainda não desapareceu. Em segundo lugar vemos as fraudes de engajamento. O mercado está se profissionalizando e menos profissionais usam quantidade de seguidores como indicador de sucesso de um criador. A taxa de engajamento está tomando esse lugar, e acompanhando o mercado, as práticas de fraude também estão focando mais na inflação do engajamento. Hoje vemos diferentes maneiras de inflar artificialmente curtidas, comentários e outras interações.
EXEMPLOS
Os engagement pods ou comment pods são grupos em que creators combinam entre si de curtir e comentar as publicações uns dos outros. Esse tipo de engajamento pode parecer legítimo à primeira vista, porque os comentários vêm de pessoas reais e muitas vezes têm relação com o conteúdo. O problema é que essas pessoas não estão interagindo porque têm interesse genuíno no creator, elas interagem para receber a mesma interação de volta. Também existem curtidas e comentários comprados, muitas vezes reconhecíveis por mensagens genéricas, emojis ou interações repetitivas. Eles aumentam os números, mas não geram valor real para a campanha. Além da fraude de audiência e de engajamento, existem formas menos frequentes, mas importantes, de fraude em outras etapas da relação com as marcas. Uma delas é a fraude de conteúdo, quando um creator tenta aparentar ter trabalhado com marcas com as quais nunca teve uma colaboração real, para parecer mais requisitado e justificar cachês maiores.
MÉTRICAS
Outra é a fraude de resultados, quando métricas de uma campanha são artificialmente infladas. Isso pode incluir cliques, downloads ou tráfego gerados por bots, ou até manipulação de links e parâmetros de rastreamento para fazer parecer que determinados resultados vieram do influencer quando, na realidade, foram comprados ou gerados artificialmente.
PROTEÇÃO
O ideal é combinar análise manual com ferramentas automatizadas. Manualmente, marcas e agências podem observar sinais como crescimento brusco de seguidores, muitos likes com poucos comentários, comentários genéricos ou repetitivos, sempre os mesmos perfis interagindo e uma relação estranha entre seguidores e contas seguidas. Esse tipo de checagem funciona bem quando você precisa avaliar rapidamente um ou dois criadores. Mas, quando é preciso avaliar dezenas ou centenas de perfis, fazer tudo à mão é muito demorado e alguns padrões acabam passando despercebidos. Felizmente, existem ferramentas automatizadas que ajudam a analisar em escala fatores como crescimento de seguidores, qualidade dos comentários, padrões de engajamento e histórico da conta. O mais importante é não tratar nenhum sinal isolado como prova de fraude. A tecnologia ajuda a identificar riscos, e a análise humana ajuda a entender o contexto antes de tomar a decisão.
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 26 de outubro.





