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IA ainda tem baixo impacto financeiro nas empresas brasileiras, diz Brivia Group

Pesquisa do Brivia Group em parceria com o Instituto Caldeira e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul aponta a maturidade digital de 15 setores
Imagem: Unsplash

A inteligência artificial já faz parte da rotina das empresas brasileiras, mas ainda tem impacto limitado sobre custos, eficiência e resultados financeiros. Essa é uma das principais conclusões da 3ª edição do Panorama Mindset Digital, pesquisa conduzida pelo Brivia Group em parceria com o Instituto Caldeira e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O estudo foi apresentado hoje (21), durante a Semana Caldeira, em Porto Alegre (RS).

O levantamento acompanha o Digital Maturity Score (DMS) do mercado brasileiro e identifica gargalos e oportunidades no processo de transformação digital. Em uma escala de zero a 100, o país registrou média de 72 pontos, classificação que o coloca na faixa de “Sensibilização”, próxima do estágio de “Otimização”. O resultado indica que a resistência à digitalização perdeu espaço nas empresas brasileiras, mas também mostra que a adoção de tecnologias ainda não se converteu integralmente em ganhos de produtividade e resultados para os negócios.

A diferença entre adoção e maturidade aparece nos sete pilares analisados pela pesquisa. “Propósito e Comunidade” apresentou a maior pontuação, com 80 pontos, já na faixa de “Otimização”. Em contrapartida, “Aprendizado Orientado por Dados” ficou com 69 pontos e “Digitalização”, com 67, indicando a presença de processos manuais e dificuldades na centralização e compartilhamento de conhecimento.

A dimensão “IA & Gestão Eficiente”, incluída pela primeira vez nesta edição, registrou a menor pontuação do estudo, com 56 pontos. Segundo a pesquisa, embora assistentes virtuais e ferramentas de inteligência artificial generativa já sejam utilizados em atividades operacionais, a tecnologia ainda está pouco presente nas decisões de C-Level e apresenta impacto limitado sobre custos e resultados de P&L.

“O levantamento expõe uma contradição estrutural: o país é altamente competente em construir marcas com propósito e ambientes de trabalho colaborativos, mas ainda enfrenta dificuldades na execução de infraestrutura tecnológica, na unificação de dados e na aplicação tática da automação”, explica o estrategista de negócios do Brivia Group, Christiaan van Hattem. “A pesquisa aponta que a inteligência artificial no Brasil ainda resume reuniões, enquanto a maturidade real exige IA prescritiva para preço, logística e churn. Sem governança da alta diretoria, a adoção algorítmica não atinge o balanço financeiro”, observa Christiaan. “A IA não é uma solução mágica. Uma boa execução depende de uma construção estratégica e de uma base de dados estruturada”, conclui, ressaltando a importância da democratização do conhecimento que, muitas vezes, acaba silado nas diferentes áreas da companhia.

Farmacêutico lidera ranking setorial

O setor farmacêutico apresentou o maior nível de maturidade digital entre os segmentos analisados, com 83 pontos. Segundo o estudo, o desempenho está associado ao rigor metodológico e às exigências de governança do setor, que estimulam processos digitais integrados. Transporte e logística aparece na segunda posição, com 79 pontos, impulsionado pelo uso de ferramentas de roteirização, automação e tecnologias voltadas à gestão da complexidade logística brasileira. Na sequência está o setor de energia, com 77 pontos. Educação e tecnologia da informação registraram 75 pontos cada. Na sequência aparecem bens de consumo (74), comunicação (74), construção e serviços especializados (74), utilidades e serviços públicos (73), têxtil e vestuário (72), alimentos e bebidas (69), varejo (67), serviços financeiros (66), agricultura e pecuária (64) e saúde (54).

Agro e saúde ficam na parte inferior do ranking

O agronegócio registrou 64 pontos e ocupa a 14ª posição. O estudo identifica uma diferença entre a adoção de tecnologias nas atividades diretamente ligadas à produção e a maturidade digital dos processos corporativos. Recursos como maquinário autônomo, drones e biotecnologia convivem com desafios na digitalização de processos, no relacionamento com clientes e na integração de dados. Na última posição está o setor de saúde, com 54 pontos. Apesar do uso de equipamentos médicos e ferramentas de diagnóstico avançadas, a pesquisa aponta uma jornada do paciente ainda fragmentada entre diferentes canais e pontos de contato.

Quatro caminhos para avançar

Para aproximar os investimentos em tecnologia dos resultados financeiros, o Panorama Mindset Digital aponta quatro frentes estratégicas. A primeira é a integração dos dados, com investimentos em estruturas centralizadas, como data lakes, para conectar informações e criar condições para projetos de IA com maior impacto no negócio. A segunda é o desenvolvimento de uma cultura de growth, com maior descentralização das decisões, ambientes controlados para testes, redução de barreiras nos processos de aprovação e aproximação com universidades e startups por meio de iniciativas de inovação aberta.

O terceiro caminho é a captura de first-party data, ampliando os canais próprios de relacionamento e conteúdo para reduzir a dependência de mídia paga e aumentar o conhecimento sobre os consumidores. Por fim, o estudo defende a incorporação da IA à agenda da alta liderança. A proposta é avançar do uso predominantemente operacional da tecnologia para aplicações preditivas e prescritivas conectadas diretamente aos resultados financeiros, incluindo automação, precificação, logística e estratégias de retenção de clientes.

“Chegamos ao fim da inovação superficial. Para destravar valor de fato, as empresas precisam colocar a IA no topo das decisões estratégicas, integrada a bases de dados unificadas e voltada para o que realmente importa: a rentabilidade do negócio e a experiência do consumidor”, destaca Marcio Coelho, CEO do Brivia Group.

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