A OpenAI iniciou no Brasil um piloto para exibição de anúncios no ChatGPT. A nova frente permitirá que marcas se conectem com consumidores durante momentos de descoberta, avaliação de alternativas e tomada de decisão dentro da plataforma.
Nesta fase, os anúncios poderão ser exibidos para usuários maiores de 18 anos nos planos Free e Go. As assinaturas Plus, Pro, Business, Enterprise e Education permanecerão sem publicidade.
Segundo a companhia, o Brasil está entre os três maiores mercados do ChatGPT em número de usuários ativos semanais. O país foi escolhido para a nova etapa do piloto por reunir uma base ampla e engajada, além de um setor de publicidade, mídia e marketing considerado estratégico para o desenvolvimento do formato.
A fase inicial conta com a participação de BETC Havas, Monks, Omnicom, Publicis e WPP. O projeto será implementado gradualmente e poderá passar por ajustes a partir dos aprendizados e retornos recebidos no mercado brasileiro.
“O Brasil terá um papel importante na construção do futuro dos anúncios no ChatGPT. Queremos aprender com um mercado que não apenas acompanha transformações, mas ajuda a impulsioná-las, e usar esse diálogo local para desenvolver uma experiência relevante para pessoas e empresas de todos os portes”, afirma Dave Dugan, head of global ads solutions da OpenAI.
Os anúncios serão claramente identificados como patrocinados e separados visualmente das respostas do ChatGPT, que continuarão sendo geradas de forma independente. A empresa também afirma que conversas, memórias e informações pessoais não serão compartilhadas com anunciantes.
As marcas terão acesso apenas a dados gerais de desempenho das campanhas, como visualizações e cliques. Já os usuários poderão gerenciar a personalização publicitária nas configurações da plataforma.
Além da compra de mídia por meio de agências e parceiros, os anunciantes poderão utilizar uma plataforma própria para criar, gerenciar, medir e otimizar campanhas. O ambiente, que será disponibilizado no Brasil nos próximos dias, reunirá ferramentas para controle de orçamento, acompanhamento de resultados, faturamento e colaboração.
Para Paulo Barros, investment director da Omnicom Media, a expansão da inteligência artificial generativa cria um novo ambiente para as marcas.
“A IA generativa deixa de ser uma tecnologia de demonstração para se tornar parte da rotina das pessoas. Quando isso acontece, nasce um novo ambiente de mídia. As marcas passam a disputar relevância não apenas em momentos de descoberta, mas também durante o processo de raciocínio que antecede uma decisão”, afirma.
Segundo o executivo, a participação no piloto permitirá que as agências desenvolvam práticas responsáveis, modelos de mensuração e formas de comunicação baseadas em contexto e intenção.
Carolina Buzeto, CEO da WPP Media no Brasil, também relaciona a novidade à adoção de novos formatos digitais pelos brasileiros e ao avanço de experiências orientadas por conversas.
“Para as marcas, isso representa uma oportunidade de se conectar com consumidores em momentos de alta relevância, desde que a presença publicitária seja útil, contextualizada e respeite a experiência do usuário”, afirma.
Na avaliação de Camila Nakagawa, CEO e copresidente da BETC Havas, os anúncios no ChatGPT podem inaugurar uma nova frente para a comunicação das empresas.
“A IA pode ampliar nossa capacidade de conectar marcas e pessoas de forma mais contextual e relevante, transformando busca em valor real para os negócios”, diz.
Os testes começaram nos Estados Unidos e foram posteriormente ampliados para Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul. O Brasil integra a nova fase da expansão ao lado do México.


