X, antigo Twitter, completa 20 anos com plano de se tornar um app de serviços

Assinaturas, monetização de criadores, vídeos, IA e pagamentos devem ancorar ambição de ir além de rede social bancada por publicidade
Elon Musk é confrontado em painel no Cannes Lions 2024: “O que você quis dizer quando mandou o mercado publicitário se danar?” | Imagem: Divulgação

ÍNDICE

O X, antigo Twitter, completa 20 anos. De Twttr verde para Twitter azul, a rede social criada por Jack Dorsey, Evan Williams, Biz Stone e Noah Glass na cidade de São Francisco, na Califórnia (EUA), eternizou “Larry the Bird” como ícone da marca. Adotado em 2010, o pássaro homenageava o jogador de basquete Larry Bird, do Boston Celtics.
Idealizada para posts de 140 caracteres, a plataforma já denotava nos slogans ‘It’s what’s happening’ e ‘What’s happening?’ o seu tino para a defesa da liberdade de expressão. O Twitter inaugurou um novo jeito de viralizar fatos em tempo real. Deu voz a debates sobre política, esportes, tecnologia, música e entretenimento com repercussão na mídia global. As mensagens eram acompanhadas pelo uso da hashtag – linguagem desenvolvida pelo designer Chris Messina em 2007 para aglutinar mensagens sobre um mesmo tema na internet.

Foi por meio do Twitter que Barack Obama anunciou a sua reeleição à presidência dos Estados Unidos para o ano de 2012 – um dos posts mais retuitados da história da rede. No primeiro ano, o Twitter captou recursos de US$ 5 milhões e já valia US$ 20 milhões. A oferta pública inicial (IPO, do inglês “initial public offering”) levantou US$ 31 bilhões em 2013.

Surgiu o verbo “tuitar” e a plataforma virou mídia obrigatória em estratégias de comunicação hábeis no mapeamento de fenômenos socioculturais e causas prementes. A inserção de publicidade começou em 2010, com o Promoted tweets, que posteriormente evoluiu para o Twitter ads.

A morte do pássaro
Em 2022, o bilionário Elon Musk, dono da Tesla e SpaceX, anunciou a compra do Twitter, desistiu sob a alegação de descumprimento de obrigações contratuais para a análise de contas falsas e spam, voltou atrás após ser processado e, finalmente, fechou o negócio envolto em polêmicas por US$ 44 bilhões.
Uma demissão em massa logo ocorreu em todo o mundo, incluindo o CEO Parag Agrawal. A experiência de uso foi questionada. Recursos antes gratuitos, como a autenticação em dois fatores via SMS e o selo azul de verificação, passaram a ser cobrados.

No dia 24 de julho de 2023, a então sede da empresa, localizada na Market Street, em São Francisco (EUA), e a versão da rede para desktop já ostentavam o nome X, que prometia o “estágio futuro da interatividade ilimitada, centrada em áudio, vídeo, mensagens e pagamentos bancários, criando um marketplace global para ideias, serviços e oportunidades”, tuitou Linda Yaccarino, presidente-executiva da plataforma à época. A matriz da empresa está localizada hoje na cidade de Bastrop, no Texas.

Para além da mudança do logotipo, a empresa “queria deixar para trás a identidade que havia construído ao longo de quase duas décadas e começar uma nova etapa”, considera José Carlos (JC) Rodrigues, professor de plataformas digitais e comportamento do consumidor da ESPM.

O movimento avançou em março de 2025, quando Elon Musk vendeu o X para a própria empresa de inteligência artificial, a xAI – acordo avaliado em US$ 33 bilhões. Em fevereiro de 2026, foi a vez da empresa de voos espaciais SpaceX, que já havia incorporado o serviço de internet via satélite Starlink, assumir o controle do X e da xAI. Estima-se que a transação tenha alcançado a cifra de US$ 1,25 trilhão.

O X parece demonstrar fôlego para crescer a partir de novas fontes de receita. “Hoje dá para dizer que o X continua sendo uma plataforma de conversação em tempo real, mas está tentando se transformar em algo mais amplo, reunindo conteúdo, inteligência artificial, serviços e soluções financeiras”, avalia JC Rodrigues.
Descoberto pelos brasileiros em meados de 2008, o Twitter ganhou versão em português três anos depois. Com escritório em São Paulo desde 2012, a marca sempre teve o Brasil entre as suas principais bases mundiais de usuários.

Mas, no dia 17 de agosto de 2024, a operação foi encerrada devido a uma série de divergências com a Justiça brasileira. Elon Musk se recusou, por exemplo, a cumprir decisão que exigia a retirada de perfis considerados antidemocráticos. O X respondeu que estava sofrendo censura.

Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 27 de julho.

Janaina Langsdorff
Janaina Langsdorff
Editora
janaina@propmark.com.br

NOTÍCIAS MAIS LIDAS

publicidade

publicidade

Inscreva-se para receber as últimas atualizações

Fique por dentro das novidades do mercado publicitário