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A era das experiências

Armando Ferrentini, fundador do propmark

Armando Ferrentini

Fundador do propmark

Vivemos a era das experiências. É cada vez maior o número de pessoas que comparecem a shows, exposições, festivais de música e por aí vai. E os eventos, a maioria deles, estão sempre lotados. Seja cultural ou corporativo. O brasileiro está entre os povos que mais gostam de encontros ao ar livre. E São Paulo, a meca das artes e maior cidade latino-americana, é um dos destaques entre as capitais do mundo quando o assunto é cultura.

Sampa recebeu nos últimos anos popstars do calibre de Harry Styles, The Weeknd, Oasis e Paul McCartney, entre outras estrelas, que arrastaram multidões para estádios como o Morumbis. Com o Rock in Rio, o Rio de Janeiro não fica atrás.

Nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, nomes de peso como Elton John e Foo Fighters vão ocupar a Cidade do Rock – do lado nacional, temos Gilberto Gil, Capital Inicial e Barão Vermelho, entre outros. O megaevento, que acontece na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense, deve receber 100 mil pessoas por dia, num total de 700 mil participantes. Quase um milhão de pessoas. Nada mal.

E as marcas serão as protagonistas das ativações no grande festival de rock da atualidade. É nessa hora que entra em ação o trabalho especializado de brand experience (experiência de marca) das agências de live marketing brasileiras.

O número de ações de marcas no festival de música só cresce. O Rock in Rio 2026 terá mais de 90 marcas envolvidas na experiência do público, com mais de cem ativações e cerca de 400 produtos licenciados. Durante os sete dias de festival, a presença das empresas na Cidade do Rock deverá somar 8 mil horas de experiências de marca e aproximadamente um milhão de brindes distribuídos aos fãs.

Os números são da Rock World, realizadora do Rock in Rio, festival criado pelo visionário Roberto Medina, que colocou o Brasil no mapa do entretenimento global – o primeiro ocorreu em 1985 com o show histórico do Queen. É isso, propriedades poderosas como o Rock in Rio se mantêm relevantes e atravessam o tempo pelo que fazem pela cultura e também pelo que geram de negócios para o país.

O Rock in Rio é um dos maiores festivais, sem dúvida, mas é apenas um entre os mais de dez milhões de eventos (de todos os portes) que são realizados anualmente no país. O Brasil não faz feio no live marketing, mas poderia ser melhor.

O alerta de líderes do setor consultados pela reportagem do propmark, que publica nesta edição o Especial Live Marketing, é que as agências especializadas poderiam aproveitar mais o auge de megashows e afins, com boas práticas de mercado, concorrências menores e cobrando melhor.

Para alguns, falta visão ao segmento, “que ainda cobra como quem aluga tenda”, como avaliou Fernando Figueiredo, CEO da Bullet. Segundo ele, as agências precisam “parar de se apresentar como fornecedor de montagem”.

O lado bom da história é que o live marketing atravessa um momento de expansão. Além de movimentar cifras crescentes, o brand experience vem ampliando seu espaço dentro das estratégias de comunicação das marcas.

Segundo o Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), o setor alcançou R$ 12,61 bilhões em consumo em janeiro de 2026, o maior valor mensal desde o início da série histórica, em 2019. O crescimento é de 9,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ironicamente, vivemos a era das experiências ao mesmo tempo em que a era da IA. E um consumidor ávido por experiências – de um show a uma degustação de drinks. Dá para aproveitar mais.

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