A internet, com destaque para as mídias sociais, será um ambiente decisivo para a definição do voto. Foi o que confirmou a pesquisa “Convicção e consciência – eleições 2014”, feita pela Rino Com. O estudo mostrou que, embora 91% dos entrevistados digam manter-se informados principalmente pela TV, 57% já utilizam a web para esse fim, número que cresce entre os mais jovens e nas classes altas – superando a TV entre os eleitores com curso superior.
Ainda assim, para 50% do total de pesquisados, a web será o meio que mais influenciará o resultado das eleições de outubro. Dentre as ferramentas sociais mais utilizadas pelos eleitores paulistanos, o Facebook é praticamente unanimidade, com 98% de penetração, seguido pelo (30%), Twitter (19%), Linkedin (7%) e Whatsapp (6%).
Se, por um lado, mostram-se cada vez mais engajados virtualmente, o engajamento social ainda envolve apenas uma pequena parcela da população paulistana – apenas 7% desse eleitorado participa de ONGs ou movimentos sociais, com menor participação entre pessoas acima de 45 anos, com maior renda e nível superior completo. Ao mesmo tempo, 56% dos entrevistados mostraram-se favoráveis aos protestos de rua, apoio que cresce entre os eleitores mais jovens, com maior nível de escolaridade e renda acima de 10 salários mínimos.
A pesquisa também mensurou a porcentagem de eleitores paulistanos que já decidiu em quem votará para presidente. Os números, no entanto, revelaram um eleitorado ainda com baixo grau de convicção sobre a escolha que fará. Nada menos do que 59% diz ainda não ter decidido o voto, contra 23% dos que se mostram convictos em relação ao que irão fazer em outubro. A pesquisa contabilizou, ainda, um total de 18% de eleitores que não irão votar ou vão votar em branco ou nulo.
“A diferença em relação aos resultados das pesquisas eleitorais tradicionais é que, ao não ser perguntado ou induzido a revelar seu voto, o eleitor fica livre para expressar seu sentimento quanto ao pleito, que, neste momento, é de afastamento, cautela e não muita esperança”, explica Rino Ferrari Filho, presidente da Rino Com. “Se em outras pesquisas o eleitor paulistano vê-se obrigado a revelar sua preferência por determinado candidato, em nosso estudo ele demonstra ter uma visão crítica dessa escolha, que ainda é relativa e pode ser alterada”, completa.
Os fatores que podem fazer com que o eleitor mude o seu voto também foi um dos tópicos da pesquisa. Dentre os 59% de eleitores não convictos, o principal fator de decisão será o desempenho passado do candidato (35%), seguido por sua imagem (28%), suas propostas de campanha (27%), a situação econômica do País (11%) e aspectos subjetivos relacionados à vida pessoal do eleitor (11%). Há ainda, entre este eleitorado, uma porcentagem de 13% que não soube dizer o que conquistaria seu voto.
Por outro lado, entre os eleitores que disseram já ter decidido em quem votar, o grau de convicção quanto ao voto mostrou-se elevado. Dos 23% que de acordo com a pesquisa já possuem um candidato, 71% afirmam que não mudarão as escolhas já feitas. Ao mesmo tempo, entre os 29% restantes que se mostraram convictos, alguns fatores poderão levar a uma eventual mudança como, por exemplo, o desempenho do candidato (8%), propostas de campanha (7%), imagem do candidato (3%), aspectos subjetivos da vida pessoal do eleitor (3%) e a situação econômica do Brasil (2%).
“Para quem ainda está decidindo como votar, a imagem do candidato conta mais do que as propostas de campanha. Por outro lado, para uma pequena parcela do eleitor que se mostrou convicto, as propostas do candidato são mais importantes do que sua imagem”, diz Rino. O que não parece provável será alterar o comportamento dos eleitores que não votarão ou votarão em branco ou nulo. Dos 19% que apontaram para este caminho, 69% mostraram-se convictos da decisão.
Melhorias
A pesquisa também revelou o que os eleitores paulistanos mais desejam, hoje, para o Brasil, o que deve refletir em seu comportamento para a escolha do candidato à presidente. De acordo com o levantamento, os eleitores paulistanos desejam melhores condições na área da saúde (40%), educação (25%), mais segurança (19%), honestidade e ética (17%), melhora na economia (13%), geração de empregos (7%), leis mais eficazes (6%), habitação (5%), assistência social (5%), transporte público (4%), ações de conscientização (3%) e uma reforma no sistema tributário (2%).
Para Rino Filho, os resultados refletem um mix entre a falta de perspectiva na política e o surgimento de um eleitor mais consciente e exigente quanto às propostas de seus candidatos. “O eleitor encontra-se ainda distante das campanhas, mas não do cenário político, que o afeta de maneira negativa”, diz. “O que a pesquisa revela é um alto grau de decepção com a qualidade dos serviços públicos, notadamente nas áreas da saúde, segurança, educação e pela cobrança de uma moralização da atividade política”.
A pesquisa “Convicção e consciência – eleições 2014” teve assessoria técnica do Club de Pesquisa e realização da Toledo & Associados, entre os dias 24 e 29 de julho de 2014. Feito por meio de 400 entrevistas nas cinco regiões da capital paulista, o estudo tem margem de erro de 4,9 pontos percentuais, para mais ou para menos, com uma confiabilidade amostral de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE sob o protocolo BR 0305/2014.